“Obsessão” poderia ter sido inesquecível

Obsessão chegou aos cinemas cercado por um hype raro para um terror contemporâneo, e dá para entender o motivo. O filme tem uma premissa extremamente interessante ao transformar a ideia de “amarração amorosa” em um pesadelo psicológico desconfortável, explorando obsessão, dependência emocional e controle de uma forma perturbadora.
A trama levanta uma pergunta incômoda: “e se alguém te amasse incondicionalmente… demais?”. A crítica e o público têm recebido o longa de forma muito positiva. O problema é que, para mim, o filme nunca alcança totalmente o potencial da própria ideia.
Existe algo na execução que dá uma sensação quase que adolescente, impedindo que o horror emocional realmente mergulhe fundo nas consequências daquela obsessão doentia. É como se o roteiro tivesse nas mãos um conceito brutalmente incômodo, mas algo o atravessasse no caminho. Ainda assim, gostei bastante da mistura entre terror e comédia em alguns momentos; o filme sabe aliviar a tensão sem perder completamente a atmosfera estranha e agoniante que constrói.
As atuações seguram muito do impacto do filme. Michael Johnston transmite a agonia crescente de Bear, além do desespero silencioso que vai consumindo tudo aos poucos. Mas quem realmente domina o filme é Nikki, interpretada por Inde Navarrette. A atriz consegue equilibrar obsessão, carência e loucura de uma forma extremamente inquietante, o que faz grande parte da tensão funcionar.
Sarah, interpretada por Megan Lawless, também acaba sendo uma surpresa muito boa, funcionando como um elemento mais humano dentro de toda a tensão psicológica da trama.
Obsessão é um terror muito interessante e inovador, mas me deixou com a sensação frustrante de que ele poderia ter sido muito mais marcante do que realmente foi. Talvez seja justamente isso que incomode tanto: o filme tinha todos os elementos para ser inesquecível.
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