A Miss estreia nos cinemas e leva concursos de beleza ao centro do debate

Longa de Daniel Porto chega às telonas explorando identidade, gênero e relações familiares
O cinema brasileiro ganha nesta semana mais um título que provoca reflexão a partir de um cenário popular: os concursos de beleza. A Miss, escrito e dirigido por Daniel Porto, estreia nos cinemas nesta quinta-feira (26), após circular por festivais europeus.
A proposta do filme é clara desde o início. Embora se apoie na estética e na tradição dos concursos, a narrativa vai além da superfície e utiliza esse ambiente como ponto de partida para discutir identidade, expectativas familiares e papéis de gênero. Dessa forma, o que poderia ser apenas um drama de bastidores se transforma em uma história sobre projeções e conflitos internos.
Ao acompanhar uma ex-miss que projeta na filha o sonho de repetir sua trajetória, o longa expõe uma tensão silenciosa: enquanto a mãe insiste na herança simbólica da faixa e da coroa, é o filho quem demonstra maior afinidade com esse universo. Assim, a trama constrói um embate que atravessa questões afetivas e sociais.
Dramédia que equilibra leveza e tensão
Ainda que trate de temas sensíveis, A Miss opta por uma abordagem que mistura drama e humor. Essa escolha permite que o filme transite entre momentos mais delicados e situações que revelam as contradições do próprio ambiente dos concursos.
Além disso, o roteiro evita respostas simplistas. Em vez de apresentar soluções rápidas, a narrativa acompanha as nuances das relações familiares, mostrando como expectativas podem se transformar em pressão e como sonhos podem mudar de direção.
Nesse sentido, o longa dialoga com discussões contemporâneas sobre identidade e liberdade individual, sem deixar de lado o recorte cultural específico em que está inserido.
Elenco e participação especial de Gardênia Cavalcanti
O elenco principal reúne nomes como Pedro David, Alexandre Lino, Helga Nemetik e Maitê Padilha, que conduzem a história com interpretações centradas nas dinâmicas familiares.
Entre as participações especiais, está Gardênia Cavalcanti, que estreia no cinema interpretando a si mesma. No filme, ela aparece como apresentadora em um momento decisivo da narrativa. Parte dessa sequência foi gravada no estúdio da Band, no Rio de Janeiro, dentro do programa Vem Com a Gente, o que aproxima ainda mais a ficção de sua trajetória real na televisão.

Embora sua participação não seja o eixo central da trama, ela contribui para dar verossimilhança à ambientação dos concursos e à exposição pública que envolve esse tipo de evento.
Circulação internacional antes da estreia nacional
Antes de chegar às salas brasileiras, A Miss passou por festivais europeus, o que ajudou a consolidar o longa dentro de um circuito que valoriza produções autorais e narrativas com recorte social.
Agora, com distribuição da Olhar Filmes, o título entra oficialmente em cartaz no Brasil. A estreia acontece após pré-estreia no Estação NET Rio, em Botafogo, que reuniu elenco, equipe e convidados do meio artístico.
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