Cinema brasileiro ocupa o Festival de Berlim 2026

O cinema brasileiro vive um de seus momentos mais consistentes no circuito internacional. A edição de 2026 do Festival de Berlim consolida essa fase ao reunir uma presença nacional expressiva em múltiplas mostras e programas estratégicos da indústria. Entre estreias mundiais, coproduções e participação em mercados e iniciativas de formação, o Brasil não apenas comparece, mas ocupa espaços centrais em um dos eventos mais relevantes do calendário cinematográfico global.
Realizado entre 12 e 22 de fevereiro, na capital alemã, o festival confirma o fortalecimento do país no cenário internacional, com filmes selecionados em seções como Perspectives, Panorama, Generation e Forum, além de projetos em desenvolvimento presentes no Berlinale Co-Production Market e talentos brasileiros integrando o Berlinale Talents.
Estreias mundiais e diversidade estética
Na mostra Perspectives, dedicada a cineastas emergentes, o Brasil será representado por Nosso Segredo, longa de estreia de Grace Passô. Reconhecida por sua trajetória no teatro e no audiovisual, a artista agora assina seu primeiro longa-metragem como diretora, marcando um momento simbólico tanto para sua carreira quanto para o cinema nacional contemporâneo.

Já na Panorama, seção historicamente associada a obras de forte dimensão política, social e estética, três produções reforçam a pluralidade brasileira. Se eu fosse vivo… vivia, de André Novais, traz no elenco a escritora Conceição Evaristo. Isabel, dirigido por Gabriel Klinger, conta com Marina Person no papel principal. Completa a seleção Narciso, de Marcelo Martinessi, coprodução internacional que inclui o Brasil entre seus parceiros.

Na Generation, voltada a narrativas com protagonismo infantojuvenil, o destaque brasileiro é Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos, ao lado de Teca Pereira e Yuri Gomes. A mostra ainda inclui Quatro Meninas, de Karen Suzane, e Papaya, de Priscilla Kellen, selecionado para a Generation Kplus. No Forum, dedicado a propostas formais e narrativas mais experimentais, o Brasil será representado por Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques.

Projeto Paradiso e a internacionalização do cinema brasileiro
Grande parte dessa presença estratégica está associada ao apoio do Projeto Paradiso, por meio do programa Brasil no Mundo, que fomenta a internacionalização de longas-metragens de ficção em festivais e mercados globais. A seleção de Nosso Segredo e Feito Pipa marca a primeira vez que filmes desenvolvidos na Incubadora Paradiso chegam a uma estreia mundial, consolidando o impacto da iniciativa.
Segundo Josephine Bourgois, diretora executiva do projeto, as escolhas do festival evidenciam a diversidade estética e temática do cinema brasileiro contemporâneo e reforçam o espaço que o país vem conquistando no mercado global. A presença em múltiplas frentes do Festival de Berlim reafirma não apenas a força criativa brasileira, mas também a importância de políticas contínuas de incentivo e articulação internacional.
A atuação brasileira vai além da exibição de filmes. No Berlinale Co-Production Market, o projeto Apneia, de Lô Politi, produzido por Leonardo Mecchi, integra o Talent Project Market, iniciativa dedicada a longas em desenvolvimento que conecta cineastas a coprodutores e financiadores internacionais. O país também participa do Company Matching, voltado ao networking estrutural de longo prazo entre produtoras. Entre apenas cinco empresas selecionadas no mundo, a produtora Bubbles Project participa pela primeira vez, com apoio do Projeto Paradiso.
No Berlinale Talents, a presença brasileira inclui a distribuidora e produtora Amanda Kadobayashi e a diretora, roteirista e produtora Moara Passoni, ampliando a visibilidade de profissionais que atuam tanto na criação quanto na circulação de obras.
Um novo ciclo para o cinema brasileiro
A forte presença do cinema brasileiro no Festival de Berlim 2026 sinaliza um novo ciclo de consolidação internacional. Não se trata apenas de quantidade, mas de diversidade de vozes, formatos e propostas estéticas que dialogam com o mundo sem perder especificidade cultural.
Ao ocupar mostras competitivas, espaços de formação e mercados estratégicos, o Brasil reafirma sua capacidade de produzir narrativas relevantes, autorais e socialmente conectadas. Em um dos palcos mais importantes do cinema mundial, o país demonstra maturidade artística e visão de futuro, fortalecendo sua trajetória no circuito internacional e ampliando as possibilidades para o audiovisual brasileiro nos próximos anos.
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