Crítica: “Um Pai em Apuros” aposta no caos familiar e acerta ao segurar o riso

Comédia estrelada por Rafael Infante surpreende ao equilibrar humor e crítica leve sobre paternidade ausente
Convidado para uma cabine especial, o LazCult conferiu Um Pai em Apuros, comédia nacional que parte de um ponto simples, e bastante reconhecível, para construir sua narrativa: o desequilíbrio dentro de casa. De um lado, a mãe sobrecarregada; do outro, um pai que acredita estar cumprindo seu papel apenas colocando dinheiro na mesa.
A trama acompanha um casal com quatro filhos, vivendo uma rotina já desgastada. Enquanto a personagem de Dani Calabresa se divide entre tarefas domésticas e o cuidado com as crianças, o marido, interpretado por Rafael Infante, mantém uma postura distante, quase alheia à dinâmica familiar. A virada vem quando ela decide tirar 10 dias para si e deixa o caos doméstico nas mãos dele.
A partir daí, o filme abraça o clichê da “troca de papéis”, mas encontra força na execução. Perdido, o personagem de Infante não sabe lidar com horários, compromissos e, principalmente, com os próprios filhos. A ausência de conexão entre eles é um dos pontos centrais da história, que vai se desenrolando entre situações caóticas e pequenas descobertas.
Rafael Infante segura o filme
Conhecido pelo humor físico e pelas expressões exageradas, Rafael Infante poderia facilmente cair no caricato. Mas não é o que acontece. O ator entrega uma performance mais contida do que o esperado e isso joga a favor do filme. Há, sim, momentos de exagero, mas nada que domine a narrativa. No geral, ele convence e sustenta a trama praticamente sozinho, especialmente após a saída temporária da personagem de Calabresa.

Já Dani Calabresa acaba ficando em segundo plano, tanto em tempo de tela quanto em impacto. Sua atuação, que deveria transmitir exaustão e irritação, por vezes soa exagerada, quase forçada. A intenção é clara, mas a execução nem sempre acompanha.
Elenco irregular e roteiro seguro
O restante do elenco oscila. Babu Santana, por exemplo, tem pouco espaço para se destacar e acaba limitado por um roteiro que não desenvolve bem seu personagem. Em contrapartida, uma das coadjuvantes, responsável por ajudar o protagonista com as crianças, surge como um ponto positivo, trazendo leveza e funcionando bem dentro da proposta.
O roteiro não arrisca muito. Segue uma estrutura previsível, alternando entre o caos doméstico e conflitos no ambiente de trabalho, onde o protagonista ainda precisa lidar com um colega competitivo e “queridinho” do chefe. Essa paralela corporativa adiciona pressão, mas não chega a ser o foco principal.
Vale a pena?
Apesar de previsível, Um Pai em Apuros funciona. O filme encontra seu equilíbrio ao não depender exclusivamente de piadas fáceis e ao apostar na evolução do protagonista. A jornada do pai que não conhece os próprios filhos, e precisa aprender isso na marra, sustenta a narrativa e dá um mínimo de profundidade à comédia.
O longa estreia em 23 de abril e é uma história sobre presença. Sobre entender que participar da vida familiar vai muito além de cumprir obrigações financeiras. E, mesmo sem grandes ousadias, o filme entrega uma experiência leve, com momentos divertidos e uma mensagem clara.
Para quem busca uma comédia descompromissada, mas com um pé na realidade, vale a sessão.
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