As Quintas Lemos: Não Pise no Meu Vazio, de Ana Suy

As Quintas Lemos: Não Pise no Meu Vazio, de Ana Suy

Na edição desta semana do As Quintas Lemos, seguimos na delicada fronteira entre literatura e afeto ao apresentar Não Pise no Meu Vazio, de Ana Suy, uma obra que não se oferece como resposta, mas como escuta. Com uma escrita profundamente poética, Ana constrói um texto que caminha entre o ensaio, a confissão e a literatura, convidando o leitor a habitar silêncios, faltas e fragilidades sem pressa de resolvê-los.

Aqui, o vazio não é ausência a ser preenchida, mas espaço legítimo de existência. A autora escreve com precisão emocional e delicadeza crítica, transformando sentimentos difusos como medo, desejo, solidão e amor em linguagem que acolhe. Cada página parece pedir cuidado. Não se lê com voracidade, lê-se com atenção, quase com o corpo inteiro. É uma escrita que toca porque não invade e que provoca porque não grita.

Nao-Pise-no-Meu-Vazio-663x1024 As Quintas Lemos: Não Pise no Meu Vazio, de Ana Suy

Conheça Não Pise no Meu Vazio

O livro se organiza como um conjunto de reflexões íntimas que tensionam a forma como lidamos com o outro e conosco. Em muitos momentos, Ana Suy nomeia aquilo que geralmente evitamos dizer. Lembrando que o afeto também tem limites e que o amor não deve ser um território de invasão. Quando escreve que preciso cuidado para não pisar no vazio do outro, a autora não fala apenas de relações amorosas, mas de ética, de escuta e de responsabilidade emocional. O texto avança em pequenas epifanias, frases que parecem simples, mas permanecem ecoando muito depois da leitura.

Ao trazer Não Pise no Meu Vazio para o As Quintas Lemos, celebramos também o reconhecimento de uma obra que dialoga profundamente com o seu tempo. O livro foi um dos semifinalistas do Prêmio Jabuti 2024, um dos mais importantes da literatura brasileira. Reafirmando a força de uma escrita que pensa, sente e propõe novos modos de dizer e de se relacionar.

Esta é uma leitura para quem aprecia textos que reverberam após o ponto final. Para quem entende a literatura como encontro, às vezes desconfortável, quase sempre necessário. Ana Suy nos lembra que ler também é um gesto de cuidado com o outro, com a palavra e, sobretudo, com aquilo que ainda não sabemos nomear.

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