Pactos Mortais: um suspense que incomoda e humaniza

Pactos Mortais: um suspense que incomoda e humaniza

Pactos Mortais, de Steve Cavanagh, é um thriller psicológico que parte de uma pergunta inquietante: o que acontece quando o sistema falha e a dor não encontra reparação? Desde as primeiras páginas, o autor conduz o leitor por uma narrativa que cresce em intensidade e tensão emocional.

Uma narrativa construída por múltiplos pontos de vista

Logo de início, o livro adota uma estrutura envolvente. Os capítulos são divididos pelos nomes dos personagens Amanda White, Ruth, Farrow e Scott e narrados em terceira pessoa. Dessa forma, o autor alterna perspectivas e constrói, pouco a pouco, uma trama complexa de suspense e vingança.

Além disso, essa escolha narrativa aproxima o leitor dos conflitos internos de cada personagem. Enquanto isso, as conexões entre as histórias vão se revelando de maneira sutil, aumentando a curiosidade a cada capítulo.

O luto como motor da revolta

Um dos grandes méritos de Pactos Mortais é abordar o luto de forma crua e humana. Afinal, embora todos estejam sujeitos à perda, cada pessoa reage de maneira diferente. Nesse contexto, a dor apresentada não surge de um acidente, mas de atos cometidos por outro ser humano por escolha e crueldade.

Por consequência, a revolta é inevitável. Uma família que parecia perfeita deixa de existir de um dia para o outro. Assim, o impacto emocional da narrativa se torna profundo, gerando indignação e empatia no leitor.

Amanda e a falha da justiça

A história começa com Amanda, personagem central consumida pelo ódio. Após o assassinato brutal de sua filha e o suicídio do marido, dominado pela culpa, ela passa a planejar a morte do responsável pelo crime. No entanto, o choque maior surge ao perceber que o assassino segue em liberdade.

Mais uma vez, a justiça falha. E o motivo é claro: dinheiro e influência. Por isso, o livro faz uma crítica direta ao poder econômico e à impunidade, uma de suas mensagens mais fortes.

Design-sem-nome-51-1024x576 Pactos Mortais: um suspense que incomoda e humaniza

Ruth, Farrow e as peças do quebra-cabeça

Paralelamente, conhecemos Ruth, marcada por um ataque violento que transforma sua vida para sempre. Casada com Scott e pressionada pela dificuldade de engravidar, ela vive um relacionamento desequilibrado. Enquanto isso, um detalhe do ataque permanece vivo em sua memória: os olhos azuis do agressor.

É nesse ponto que surge Farrow, um detetive conhecido por resolver casos engavetados. Ele assume tanto a investigação de Wallace Crone um criminoso rico e protegido quanto o ataque sofrido por Ruth. Assim, as peças começam a se encaixar, revelando a atuação de um serial killer.

Pactos, mentiras e reviravoltas

Após ser presa por perseguição, Amanda passa a frequentar um grupo de apoio. Nesse ambiente, ela conhece uma mulher com uma história muito semelhante à sua. Unidas pela dor, as duas criam um plano perturbador baseado em uma troca de vinganças.

No entanto, quando tudo parece resolvido, a verdade vem à tona: Amanda foi manipulada. Por fim, a narrativa revela um jogo psicológico muito maior, repleto de mentiras e reviravoltas.

Um thriller impossível de largar

Com ritmo crescente, Pactos Mortais funciona como um grande quebra-cabeça. Cada capítulo esclarece uma peça essencial: o impacto do trauma em Ruth, o luto transformador de Amanda e as decisões extremas de Scott movidas pela culpa.

Dessa maneira, Steve Cavanagh entrega um thriller psicológico intenso, provocador e envolvente. É o tipo de livro que prende o leitor até a última página e não permite pausas.

FICHA DO LIVRO

Título: Pactos Mortais
Subtítulo: Um thriller psicológico instigante de vingança e segredos sombrios
Autor: Steve Cavanagh
Editora: HarperCollins
Páginas: 336

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *