Crítica: Sonhos de Trem emociona e mira o Oscar 2026

Filme com Joel Edgerton transforma passagem do tempo em experiência sensível e já desponta como forte candidato ao Oscar 2026
Assisti Sonhos de Trem e posso dizer que o filme não apenas atravessa décadas na tela, como também atravessa o espectador por dentro. Concorrente do Oscar 2026, o longa dirigido por Clint Bentley entrega uma experiência sensível, contemplativa e profundamente humana.
Baseado na obra de Denis Johnson, o filme acompanha a vida de Robert Grainier ao longo de cerca de 80 anos. No centro da narrativa está Joel Edgerton, que oferece uma das atuações mais marcantes de sua carreira.
Desde os primeiros minutos, fica claro que Sonhos de Trem não é um filme comum. Ele não busca grandes reviravoltas ou espetáculos grandiosos. Ao contrário, aposta na delicadeza. E justamente por isso impacta tanto.
Sonhos de Trem e a passagem do tempo
Em Sonhos de Trem, cada corte parece marcar uma nova fase da vida. O filme começa no fim do século 19 e segue até a década de 1960. Assim, acompanhamos transformações sociais, tecnológicas e emocionais sob o olhar silencioso de Grainier.
Robert trabalha como lenhador e participa da expansão ferroviária dos Estados Unidos. No entanto, o longa não transforma essa trajetória em uma exaltação heroica. Pelo contrário, o roteiro evita romantizar o mito do homem que constrói a nação.
Enquanto isso, vemos o surgimento de trilhos, pontes e cidades. Ao mesmo tempo, testemunhamos perdas, silêncios e mudanças inevitáveis. Portanto, o tempo não é apenas pano de fundo. Ele é personagem central.
A narração de Will Patton adiciona uma camada literária à experiência. Sua voz conduz a história como se estivéssemos folheando um romance clássico.
Joel Edgerton brilha em Sonhos de Trem

Se o filme funciona tão bem, muito se deve à performance de Joel Edgerton. O ator constrói Robert Grainier com economia de palavras e intensidade no olhar. Cada expressão comunica décadas de vivência.
Edgerton interpreta um homem comum. No entanto, essa simplicidade é justamente o que torna tudo grandioso. Ele não vive um herói épico, mas um indivíduo moldado pelo tempo, pela natureza e pelas circunstâncias.
Ao lado dele, Felicity Jones interpreta Gladys, esposa de Robert. A relação entre os dois é construída com delicadeza. Assim, os momentos de felicidade e dor ganham peso emocional genuíno.
Além disso, o elenco de apoio enriquece a jornada. William H. Macy aparece como Art Peeples e entrega uma atuação memorável. Já Kerry Condon surge em uma fase posterior da vida do protagonista, trazendo leveza e reflexão.
Sonhos de Trem no Oscar 2026
Não é por acaso que Sonhos de Trem aparece entre os indicados ao Oscar 2026 nas categorias Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original. O filme reúne elementos que tradicionalmente agradam à Academia: adaptação literária, atuação transformadora e direção autoral.
Entretanto, o que realmente diferencia a produção é sua atmosfera. O diretor Clint Bentley constrói imagens que parecem pinturas. A fotografia valoriza paisagens naturais e enquadra o personagem como parte do ambiente.
Além disso, o longa dialoga com temas universais. Fala sobre racismo, progresso, tecnologia e solidão. Contudo, faz isso sem discursos didáticos. O filme prefere sugerir a impor.
Ao longo da projeção, percebi que a obra não busca respostas fáceis. Ela convida à contemplação. E, justamente por isso, permanece na memória após os créditos finais.

Uma experiência que permanece
Diferentemente de produções que apostam em impacto imediato, Sonhos de Trem cresce com o tempo. Primeiro, emociona de forma sutil. Depois, reverbera internamente.
O filme aborda o mistério da existência humana diante da natureza e do avanço tecnológico. Em determinado momento, coloca seu protagonista diante de um avião. Essa imagem sintetiza décadas de transformação em segundos.
Portanto, mais do que contar a história de um homem, o longa observa o mundo em mudança. Ele transforma o espectador em testemunha.
Saí da sessão com a sensação de ter vivido algo raro. Sonhos de Trem não é apenas um candidato ao Oscar 2026. É um filme que respira, observa e permanece.
Se a Academia valorizar sensibilidade, atuação sólida e direção segura, o nome do longa certamente estará entre os indicados. E, sinceramente, seria mais do que merecido.
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