Frankenstein de Guillermo del Toro crítica do filme com Jacob Elordi

Frankenstein de Guillermo del Toro crítica do filme com Jacob Elordi

Poucos diretores em Hollywood demonstram tanto carinho pelos monstros quanto Guillermo del Toro. Ao longo da carreira, o cineasta mexicano construiu uma filmografia marcada pelo fascínio por criaturas, pelo terror gótico e por histórias que misturam fantasia com emoção.

Com Frankenstein, Del Toro finalmente realiza um projeto que parecia inevitável em sua trajetória. A adaptação do clássico de Mary Shelley surge como um verdadeiro sonho antigo do diretor. Afinal, o criador de O Labirinto do Fauno sempre declarou sua admiração pela história do cientista que decide desafiar a morte.

O resultado, no entanto, é curioso. O filme impressiona visualmente e entrega momentos poderosos, principalmente graças à atuação de Jacob Elordi. Ainda assim, a narrativa raramente encontra algo realmente novo para dizer sobre uma história contada inúmeras vezes no cinema.

Frankenstein de Guillermo del Toro aposta no espetáculo visual

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imagem divulgação

Se existe algo que nunca decepciona em um filme de Guillermo del Toro é o aspecto visual. E em Frankenstein isso aparece logo nas primeiras cenas.

Cenários grandiosos, fotografia carregada de sombras e uma atmosfera gótica dominam a tela. Cada ambiente parece construído com extremo cuidado, reforçando o estilo artesanal que sempre marcou o trabalho do diretor.

Esse capricho visual não é novidade para quem acompanhou obras como A Forma da Água, vencedor do Oscar, ou Pinóquio, animação que também conquistou reconhecimento internacional.

Em Frankenstein, Del Toro mais uma vez aposta em maquiagem detalhada, efeitos práticos e cenários físicos para criar um universo convincente. O resultado é um espetáculo estético que chama atenção do início ao fim.

No entanto, enquanto os olhos se impressionam, a história segue por caminhos bastante familiares.

Jacob Elordi rouba a cena em Frankenstein

A trama acompanha Victor Frankenstein, interpretado por Oscar Isaac, um cientista obcecado em ultrapassar os limites da vida e da morte.

Movido por ambição e curiosidade científica, ele cria uma criatura a partir de partes de corpos humanos. O experimento funciona. Porém, como manda a tradição da história criada por Mary Shelley, as consequências rapidamente saem do controle.

Nesse ponto, surge o grande destaque do filme.

Jacob Elordi assume o papel da criatura e entrega uma performance surpreendente. Mesmo sob camadas de maquiagem pesada, o ator consegue transmitir uma mistura intensa de fragilidade, dor e raiva.

Sua interpretação dá profundidade emocional ao personagem. A criatura não é apenas um monstro assustador. Ela é também um ser confuso, abandonado e desesperado por encontrar um propósito para sua existência.

Essa dimensão mais humana funciona como o coração da narrativa.

Frankenstein revive um clássico, mas sem muitas surpresas

Apesar da força visual e das boas atuações, Frankenstein de Guillermo del Toro enfrenta um desafio inevitável: a história já foi contada inúmeras vezes.

Desde o clássico protagonizado por Boris Karloff nos anos 1930 até versões modernas e adaptações livres, o mito do cientista que cria vida artificial já ganhou diversas leituras no cinema.

Por isso, encontrar um novo ângulo para essa narrativa sempre foi uma tarefa difícil.

Del Toro tenta resolver isso apostando na emoção e no simbolismo religioso. O filme frequentemente sugere paralelos entre criador e criatura, explorando temas como culpa, abandono e redenção.

Em vários momentos, a história também reflete sobre o ato de criar. Victor Frankenstein não é apenas um cientista. Ele é quase um artista obcecado em dar vida a algo que deveria permanecer inanimado.

A ideia é interessante. No entanto, o roteiro raramente aprofunda essas reflexões de maneira mais ousada.

Um filme bonito, mas menos impactante

No final das contas, Frankenstein é um filme que impressiona mais pelo estilo do que pela narrativa.

A direção elegante de Guillermo del Toro, a trilha sonora envolvente e o cuidado visual tornam a experiência agradável. Além disso, a atuação de Jacob Elordi garante momentos realmente marcantes.

Mesmo assim, falta ao filme aquela sensação de descoberta que marcou os melhores trabalhos do diretor.

Obras como A Forma da Água ou O Labirinto do Fauno conseguiram transformar histórias fantásticas em experiências emocionais profundas. Em Frankenstein, essa conexão aparece apenas em alguns momentos.

Ainda assim, o longa está longe de ser um fracasso.

Para quem gosta de cinema gótico, criaturas trágicas e do estilo visual de Del Toro, o filme oferece um espetáculo digno da tela grande. Só não espere uma reinvenção radical do clássico.

No fim, Frankenstein de Guillermo del Toro funciona como uma bela homenagem a um dos monstros mais famosos da literatura. Um filme visualmente poderoso, emocional em certos momentos, mas que acaba ficando um pouco aquém do potencial de seu próprio criador.

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