Na edição dessa semana do As Quintas Lemos, trouxemos A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, um romance brasileiro que traz realismo mágico, afeto e fé, além de uma crítica social construída com delicadeza e originalidade.
Para além de contar uma história, o livro fala sobre abandono, luto, pertencimento e a ânsia humana, e divina, de ser ouvido.
Conheça A Cabeça do Santo
A obra acompanha Samuel, um jovem desesperançoso que, após enterrar a mãe, parte numa jornada para cumprir sua última promessa a ela: encontrar sua avó e seu pai e acender uma vela no pé de cada santo por quem era devota.
Após uma árdua peregrinação, ele chega a Candeia, uma cidade em ruínas no sertão nordestino. Desamparado, abriga-se na cabeça oca e gigantesca de Santo Antônio, um lembrete da decadência da cidade.
Nesse cenário improvável, Samuel passa a viver e, de forma misteriosa, começa a ouvir as preces das mulheres da cidade, que, desesperadas por amor, suplicam ao santo.
Outro ponto sensível da obra é a maneira como o luto atravessa toda a narrativa sem jamais se tornar pesado ou explícito demais. A ausência da mãe não é apenas um ponto de partida, mas uma presença constante no silêncio, nas escolhas e na solidão de Samuel. Em diversos momentos, o luto aparece como um estado de escuta e espera, como quando o texto sugere que a dor não grita, mas permanece: “a saudade não fazia barulho, apenas ficava”. Socorro Acioli trata a perda como algo íntimo e cotidiano, mostrando que seguir adiante não significa esquecer, mas aprender a conviver com aquilo que falta.

A escrita de Socorro Acioli é fluida e delicada. Sua sensibilidade ao retratar cenários tão improváveis e, ao mesmo tempo, tão realistas impressiona e conforta. Suas palavras impactam com suavidade e expõem faces humanas profundas, como a solidão, a esperança e a fé. Sua forma de retratar o luto, com uma sutileza que toca quem já passou por ele, marca o leitor.
Enfim, A Cabeça do Santo é aquela leitura que acolhe: leve, mas sem ser rasa, cheia de significados, marcada por metáforas que retratam a fé, a necessidade humana do amor e gritos que ecoam no silêncio. Emociona sem exageros, provoca reflexões diversas e fala sobre o quanto o comum pode ser extraordinário e lindo. Uma obra que, sem dúvidas, merece ser lida e sentida.
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