Sepultura transforma penúltimo show da carreira em uma celebração visceral no Cine Joia

Em apresentação intimista, banda deixou de lado a grandiosidade dos grandes palcos e apostou na proximidade com os fãs, em uma noite marcada por mosh pits, clássicos e muita energia
A despedida do Sepultura está cada vez mais próxima. Mas, antes de encerrar definitivamente uma trajetória de mais de quatro décadas, a banda escolheu fazer algo diferente: voltar a um ambiente menor, mais próximo do público e com a energia que remete às origens do metal. Na última quinta-feira (5), o Cine Joia, em São Paulo, recebeu o penúltimo show da carreira do grupo, batizado de The Last Ceremony.
E a escolha não poderia ter sido mais acertada.
Esqueça as grandes estruturas, os palcos gigantescos e a distância entre artista e plateia. No Cine Joia, a experiência foi outra. Com uma capacidade muito menor e sem qualquer grade separando o público do palco, o espaço permitiu que a interação acontecesse de maneira muito mais espontânea. A galera subia no palco, se jogava de volta na plateia e transformava cada música em uma verdadeira celebração do caos. Era aquele tipo de show roots, sem muita cerimônia, em que o público não está apenas assistindo, mas fazendo parte do espetáculo.
No repertório, o Sepultura também fez questão de passear por diferentes momentos de sua história. A apresentação começou com uma sequência poderosa de músicas de Arise e Beneath the Remains, incluindo “Dead Embryonic Cells”, “Desperate Cry”, “Inner Self” e “Mass Hypnosis”, que voltou a aparecer nos shows depois de alguns anos. Já a fase de Derrick Green teve seu espaço com músicas como “Kairos”, “Against” e “Mindwar”, mostrando que a história da banda vai muito além de uma única formação.
A passagem por Roots também não poderia faltar. “Breed Apart”, “Attitude” e “Dusted” ajudaram a manter a intensidade lá em cima, enquanto “Territory”, “Biotech Is Godzilla” e “Refuse/Resist” prepararam o terreno para uma reta final à altura da ocasião.
E, claro, “Roots Bloody Roots” ficou responsável por fechar a noite, depois de um bis que ainda contou com um solo de bateria e um trecho de “Ratamahatta”.
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O que tornou essa apresentação especial, porém, não foi apenas o repertório ou o peso das músicas. Foi a sensação de estar diante de uma banda que, mesmo depois de mais de 40 anos de estrada, ainda consegue entregar um show com a mesma intensidade e capacidade de mobilizar as pessoas.
Existe algo de muito simbólico em uma banda do tamanho do Sepultura escolher um espaço como o Cine Joia para realizar um dos seus últimos encontros com o público. Em vez de apostar exclusivamente na grandiosidade de uma despedida, o grupo proporcionou uma experiência mais próxima, crua e, de certa forma, nostálgica.
Foi uma noite para sentir o peso das guitarras de perto, entrar na roda, dividir espaço com outros fãs e aproveitar cada minuto. Afinal, quando uma história de mais de quatro décadas está chegando ao fim, cada oportunidade de ver essa banda ao vivo ganha um significado diferente.
No fim das contas, o Sepultura mostrou que não precisa de um palco gigantesco para fazer história. Às vezes, tudo o que uma banda precisa é de seus instrumentos, seus fãs e um espaço pequeno o suficiente para todo mundo sentir a pancada de perto.
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