BGS 2026: o que os jogos e as tecnologias apresentados na feira revelam sobre o futuro dos games

BGS 2026: o que os jogos e as tecnologias apresentados na feira revelam sobre o futuro dos games
Foto: Gessica Carvalho

De jogos independentes brasileiros à inteligência artificial e ao cloud gaming, experiências apresentadas na Brasil Game Show mostram diferentes caminhos para criar, distribuir e jogar videogames

A Brasil Game Show 2026 reuniu projetos e tecnologias que ajudam a entender algumas das transformações em curso na indústria de games. Entre jogos independentes desenvolvidos por equipes de diferentes tamanhos, ferramentas de criação com inteligência artificial e alternativas para jogar sem um computador potente, a feira apresentou soluções que vão além dos grandes lançamentos.

Durante a cobertura presencial, o LazCult conheceu projetos brasileiros, conversou com representantes de empresas e experimentou uma demonstração de Alien: Isolation 2. Embora tenham propostas distintas, essas experiências revelam como o desenvolvimento de jogos envolve diferentes desafios, desde a criação de identidades próprias até o acesso às ferramentas e ao hardware necessário para jogar.

Os exemplos não representam toda a indústria, mas ajudam a observar caminhos que merecem atenção: a diversidade da produção independente, a aplicação da inteligência artificial na criação digital e a busca por novas formas de acesso aos games.

Jogos independentes brasileiros apostam em identidade própria

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Foto: Felipe Vasconcelos

A produção independente foi um dos destaques da cobertura do LazCult na BGS 2026. Na área Indie, três projetos apresentaram propostas bastante diferentes: Tupi: Lendas de Arariboia, Infinitevania e Dfiance.

Desenvolvido pelo estúdio Arariboia, Tupi: Lendas de Arariboia combina RPG por turnos, elementos roguelike e mecânicas de captura e utilização de criaturas. Um dos principais diferenciais está na inspiração no folclore brasileiro, com espíritos baseados na fauna, na flora e em figuras como Saci, Caipora e Boitatá.

O projeto mostra como referências culturais brasileiras podem servir de base para a construção de universos próprios, em vez de apenas reproduzir fórmulas já conhecidas de outras franquias. A proposta também demonstra como gêneros populares podem ser combinados com elementos locais para criar experiências com identidade visual e narrativa distintas.

Já Infinitevania aposta na ação e na exploração características dos jogos Metroidvania. O título combina referências de Castlevania: Symphony of the Night, Hollow Knight e Blasphemous, além de contar com dublagem em português. A equipe também busca tornar a progressão mais acessível para quem ainda não está familiarizado com o gênero.

Dfiance segue outra direção, com partidas estratégicas em um card game online multiplayer. O desenvolvimento reúne cerca de 40 colaboradores de diferentes países, mostrando que projetos independentes também podem envolver equipes distribuídas internacionalmente.

Os três jogos evidenciam que a produção independente não segue um único modelo. Existem projetos centrados na cultura brasileira, outros que reinterpretam referências internacionais e iniciativas que dependem da colaboração entre profissionais de diferentes lugares.

Inteligência artificial amplia as possibilidades de criação

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Foto: Gessica Carvalho

Outra frente observada na feira foi a aplicação da inteligência artificial no desenvolvimento de recursos tridimensionais. A Tripo AI e suas ferramentas de criação 3D com inteligência artificial foram um dos exemplos apresentados durante o evento.

A empresa demonstrou ferramentas capazes de gerar modelos 3D a partir de textos e imagens, além de recursos para editar partes específicas de um objeto. Esse tipo de tecnologia pode ajudar artistas, desenvolvedores e pequenas equipes a experimentar ideias e produzir elementos visuais para seus projetos.

Em processos que tradicionalmente exigem conhecimentos especializados e trabalho manual, a geração assistida por IA oferece uma alternativa para acelerar determinadas etapas.

Na BGS, a empresa também demonstrou o LEBOT, jogo de luta no qual os visitantes podiam transformar uma fotografia própria em um personagem tridimensional. A experiência aproximou a ferramenta de seu uso prático, mostrando como a criação de modelos pode ser incorporada a uma interação jogável.

A aplicação da inteligência artificial, entretanto, não significa que todas as etapas do desenvolvimento possam ser automatizadas. Gerar um modelo é diferente de garantir que ele esteja pronto para uso em um jogo: ajustes, integração, direção artística e controle de qualidade continuam sendo aspectos importantes do processo.

O exemplo da Tripo AI aponta para uma possibilidade relevante, especialmente para criadores que precisam testar conceitos ou produzir recursos visuais com equipes e orçamentos limitados. O impacto dessas ferramentas dependerá de como serão incorporadas aos fluxos de trabalho e da qualidade dos resultados obtidos.

Cloud gaming tenta reduzir a dependência de hardware potente

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Foto: Gessica Carvalho

O custo dos equipamentos também influencia a forma como o público acessa os videogames. Computadores capazes de executar lançamentos exigentes podem representar um investimento elevado, especialmente para quem precisa atualizar componentes com frequência.

A ThunderX apresentou na BGS uma alternativa baseada em cloud gaming, modelo em que o processamento dos jogos acontece em servidores remotos, permitindo jogar pela internet sem depender de um computador potente. Na plataforma da empresa, explicada por Eduardo Gross durante a apresentação da ThunderX na BGS 2026, o usuário utiliza créditos de acordo com o tempo de jogo.

Durante a conversa com nossa equipe, Gross explicou que a plataforma trabalha com créditos consumidos por hora de uso. A proposta é permitir que jogadores utilizem o processamento na nuvem sem precisar manter uma máquina de alto desempenho em casa.

O modelo pode diminuir a barreira de entrada para quem já possui jogos compatíveis, mas não conta com um computador capaz de executá-los adequadamente. Por outro lado, a experiência depende de uma conexão estável, da latência e das condições de acesso ao serviço. O custo acumulado das horas de uso também precisa ser considerado na comparação com a compra de hardware próprio.

Por isso, o cloud gaming não elimina necessariamente a necessidade de um computador potente em todos os cenários. Ele oferece uma alternativa cujo custo e desempenho precisam ser avaliados de acordo com os hábitos de cada jogador.

A presença da ThunderX na feira mostra como a indústria procura diferentes modelos de acesso, além da compra tradicional de consoles, computadores e jogos.

A experiência de jogar continua sendo fundamental

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Foto: Gaba Santos

Em meio às novas ferramentas de desenvolvimento e às alternativas de acesso, a experiência oferecida pelo próprio jogo continua sendo um elemento central.

Na demonstração de Alien: Isolation 2, testada pelo LazCult durante a BGS, a tensão foi construída a partir da exploração, da furtividade e da necessidade de evitar uma criatura que pode aparecer a qualquer momento. A demo também permitiu observar como a ambientação, os efeitos sonoros e as mecânicas trabalham juntos para criar suspense, elementos que chamaram a atenção durante a experiência.

O jogador precisa observar o ambiente, resolver mecanismos e controlar os próprios movimentos para avançar sem ser detectado. A ambientação visual e o trabalho sonoro contribuíram para a sensação de vulnerabilidade durante a experiência.

Mais do que apresentar cenários detalhados, a demonstração utilizou esses elementos para reforçar a ameaça e fazer com que cada decisão parecesse importante.

O exemplo mostra como recursos técnicos ganham significado quando estão conectados às mecânicas e à proposta do jogo. Gráficos e efeitos sonoros podem contribuir para a imersão, mas precisam trabalhar em conjunto com o ritmo, o desafio e a interação para produzir o efeito desejado.

O que essas experiências indicam para o futuro dos games?

As experiências observadas na BGS 2026 apontam para diferentes frentes de transformação, mas não para um único caminho que toda a indústria deverá seguir.

A produção independente demonstra a variedade de propostas que podem surgir fora das grandes franquias. Ferramentas de inteligência artificial oferecem novas possibilidades para a criação de recursos digitais. O cloud gaming busca alternativas para jogadores que enfrentam barreiras de hardware, enquanto a demonstração de Alien: Isolation 2 reforça a importância de integrar tecnologia, ambientação e mecânicas para construir uma experiência envolvente.

Esses caminhos também levantam questões distintas. Para os estúdios independentes, conquistar visibilidade e viabilizar o desenvolvimento continua sendo um desafio. Para as ferramentas de IA, a questão está em transformar a geração de conteúdo em recursos realmente úteis para a produção. No cloud gaming, conectividade, latência e custos são fatores decisivos para a adoção do serviço.

A BGS não oferece, por si só, uma previsão definitiva sobre o futuro do setor. O que a feira permite observar é a coexistência de diferentes soluções, cada uma tentando responder a necessidades específicas de quem desenvolve, distribui ou consome jogos.

Para o público, essa diversidade significa mais possibilidades de experiências e de acesso. Para quem desenvolve, representa novas ferramentas e modelos de trabalho, mas também a necessidade de encontrar maneiras sustentáveis de transformar ideias em produtos.

Ao reunir projetos independentes, demonstrações tecnológicas e experiências jogáveis, a BGS 2026 mostrou que acompanhar o futuro dos games exige olhar não apenas para os grandes lançamentos, mas também para as iniciativas que estão experimentando novas formas de criar e jogar.

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