BGS 2026 destaca jogos independentes brasileiros com folclore, ação e RPG

BGS 2026 destaca jogos independentes brasileiros com folclore, ação e RPG
Foto: Gessica Carvalho

De projetos inspirados em lendas brasileiras a aventuras no estilo Metroidvania, desenvolvedores independentes apresentam jogos com propostas variadas e equipes de diferentes tamanhos

A produção independente de games no Brasil reúne projetos com estilos, referências e desafios distintos. Na BGS 2026, a área Indie permite conhecer parte dessa diversidade, com jogos que exploram desde criaturas do folclore brasileiro até aventuras de ação e experiências multiplayer.

Durante a feira, o LazCult conversou com desenvolvedores de três projetos: Tupi: Lendas de Arariboia, Infinitevania e Dfiance. As entrevistas revelam diferentes caminhos para desenvolver jogos, conquistar espaço no mercado e apresentar novas experiências ao público.

Tupi: Lendas de Arariboia transforma o folclore brasileiro em RPG

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Foto: Gessica Carvalho

Desenvolvido pelo estúdio Araribóia, Tupi: Lendas de Arariboia combina elementos de RPG por turnos, roguelike e Monster Tamer, gênero em que o jogador encontra e utiliza criaturas durante a aventura.

Leon Zigoni, diretor e game designer do projeto, explica que o jogo tem referências em franquias como Shin Megami Tensei e Persona, além de buscar inspiração em Darkest Dungeon para o sistema de expedições.

Na história, o jogador acompanha Arariboia em uma jornada para reconstruir sua aldeia. Para isso, o protagonista aprende a purificar espíritos da floresta, que passam a integrar sua experiência de jogo.

Um dos principais diferenciais está na construção dessas criaturas. A demo gratuita disponível na Steam reúne mais de 70 espíritos inspirados na fauna, na flora e no folclore brasileiro. Entre eles estão figuras conhecidas, como Saci, Caipora, Boitatá e Boi da Cara Preta.

A estrutura roguelike também influencia a progressão. Durante as expedições, o jogador monta uma equipe para enfrentar inimigos e chegar aos chefes. Quando é derrotado, retorna à aldeia, onde pode desenvolver os personagens e se preparar para uma nova tentativa.

Segundo Zigoni, a equipe conta atualmente com dez pessoas. O lançamento completo de Tupi: Lendas de Arariboia está previsto para 2028.

Infinitevania aposta em ação e dublagem em português

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Foto: Gessica Carvalho

Outro projeto apresentado na cobertura é Infinitevania, um jogo brasileiro de ação no estilo Metroidvania. Henrique Teodoro, que trabalha como game designer, programador e também participa do marketing, descreve o título como uma combinação de referências de diferentes jogos conhecidos do gênero.

Entre as inspirações estão Castlevania: Symphony of the Night, Hollow Knight e Blasphemous. A proposta combina combate inspirado em Blasphemous, mecânicas de salto sobre inimigos associadas a Hollow Knight e elementos visuais de Castlevania: Symphony of the Night.

Um dos destaques é a dublagem em português, que reúne profissionais conhecidos pelo trabalho em jogos, animações e outras produções. Entre os nomes citados por Teodoro estão Ricardo Juarez, Francisco Júnior, Lucas Almeida e o criador de conteúdo Guilherme Damiani.

Além das referências e do elenco de vozes, o desenvolvedor destaca a intenção de tornar a experiência mais acessível para quem ainda não conhece o gênero. Embora mantenha a exploração característica dos Metroidvanias, o jogo procura orientar melhor o jogador durante a progressão da história.

A proposta é permitir que iniciantes explorem o mapa sem depender exclusivamente de tentativas e erros para descobrir como avançar.

Infinitevania já está disponível na Steam, por R$ 39,90, segundo o desenvolvedor entrevistado. A equipe de desenvolvimento contou com seis pessoas, além de profissionais freelancers que contribuíram em etapas adicionais. Teodoro também informou que a versão para PlayStation estava prevista para o início de 2027, com versões para Nintendo Switch e Xbox planejadas para o mesmo período.

Dfiance aposta em estratégia com cartas e equipe internacional

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Foto: Gessica Carvalho

Dfiance segue uma direção diferente dos outros projetos apresentados na reportagem. O jogo é um card game online multiplayer que organiza suas cartas em três facções, cada uma com características e estratégias próprias.

De acordo com Evandro Paulino, desenvolvedor entrevistado pelo LazCult, os Celestiais são voltados à cura e à proteção. Os Efêmeros trabalham com efeitos positivos e negativos que podem alterar o desempenho das cartas dos dois lados. Já a facção Inferno concentra estratégias agressivas, com foco em causar dano e sacrificar cartas para obter vantagens durante as partidas.

O projeto também chama a atenção pela composição da equipe. Paulino relata que cerca de 40 pessoas participam do desenvolvimento, com colaboradores distribuídos por diferentes países. Entre eles, há integrantes do Brasil, Israel, Rússia, Polônia e Inglaterra.

A demo estava prevista para chegar à Steam no dia 20, conforme informado pelo desenvolvedor durante a entrevista. O lançamento completo foi projetado para o fim de 2026 ou o início de 2027. Paulino também mencionou planos para disponibilizar versões para dispositivos móveis, inicialmente na Play Store, com uma versão para iOS prevista para o futuro.

Diferentes caminhos para os jogos independentes brasileiros

Os três projetos mostram como a produção independente pode explorar propostas bastante distintas. Tupi: Lendas de Arariboia utiliza referências culturais brasileiras na criação de suas criaturas e de seu universo. Infinitevania aposta na ação, na exploração e na dublagem em português. Dfiance, por sua vez, investe em partidas estratégicas com cartas e em uma equipe internacional.

As diferenças também aparecem nas estruturas de desenvolvimento: enquanto Infinitevania foi desenvolvido por uma equipe de seis pessoas, Tupi: Lendas de Arariboia conta com dez integrantes, e Dfiance reúne aproximadamente 40 colaboradores de diferentes países.

A presença desses projetos na BGS 2026 permite conhecer mais de perto o trabalho de equipes que buscam transformar ideias em experiências jogáveis. Para o público, a feira também é uma oportunidade de descobrir jogos fora dos grandes lançamentos e acompanhar o desenvolvimento de novas produções independentes.

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