Entre livros, filas e histórias: o que a Bienal ainda diz sobre nós?

São Paulo tem uma mania curiosa: consegue transformar praticamente qualquer coisa em uma experiência de multidão. Show? Lotado. Jogo? Lotado. Feira gastronômica? Lotada. E, aparentemente, até para comprar um livro a gente está disposto a enfrentar fila, chuva, transporte público e aquela caminhada básica de “será que ainda falta muito?”.
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo chegou ao Distrito Anhembi entre os dias 4 e 13 de setembro e, mais uma vez, mostrou que o livro está bem longe de ser uma coisa do passado. A edição reúne centenas de expositores, autores nacionais e internacionais e uma programação que vai muito além de simplesmente comprar livros.
Mas talvez a pergunta mais interessante seja outra:
por que tanta gente ainda vai à Bienal?
Porque comprar livro pela internet é mais fácil. É mais rápido. Muitas vezes é mais barato.
Então por que sair de casa?
Talvez porque livro nunca tenha sido apenas sobre papel.
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É sobre encontrar alguém que escreveu exatamente aquilo que você estava tentando entender. É sobre ouvir uma história e pensar: “caramba, alguém sentiu isso também”.
É sobre descobrir um autor novo.
É sobre reencontrar aquele personagem que fez parte da nossa adolescência.
É sobre levar uma criança para escolher o próprio livro e perceber que, naquele momento, ela não está apenas escolhendo uma história. Está escolhendo um mundo para conhecer.
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E tem também a parte que ninguém conta: a Bienal é um grande encontro.
Tem gente que vai para comprar. Tem gente que vai para tietar escritor. Tem gente que vai atrás daquele romance que viralizou nas redes sociais. Tem quem procure fantasia, suspense, poesia, HQ, literatura infantil, ficção científica ou aquele livro que está há três anos na lista de “vou ler”.
E tudo bem.
Aliás, talvez essa seja uma das coisas mais bonitas da literatura: não existe um jeito certo de gostar de livro.
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Você pode ter começado lendo Machado de Assis e hoje estar completamente apaixonado por romance adolescente.
Pode ter conhecido Carolina Maria de Jesus na escola e só anos depois entendido a dimensão daquilo que ela escreveu.
Pode ter descoberto um autor porque alguém fez um vídeo de 30 segundos no TikTok.
Pode simplesmente gostar de sentar no ônibus com um livro na mão enquanto São Paulo passa correndo pela janela.
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E sabe o que é mais interessante?
A tecnologia, que tanta gente dizia que acabaria com os livros, acabou ajudando a criar novos leitores.
Hoje, uma indicação nas redes sociais pode fazer uma obra esgotar. Clubes de leitura voltaram a ganhar força. Jovens estão transformando a leitura em encontro, conversa e comunidade. O chamado “BookTok” ajudou a aproximar uma nova geração dos livros e até a levar discussões que antes ficavam restritas às estantes para as redes.
Ou seja: talvez o livro não esteja perdendo espaço.
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Talvez ele só esteja aprendendo a ocupar novos lugares.
E a Bienal parece entender isso.
A programação de 2026 mistura literatura com educação, diversidade, cultura, comportamento, inovação, saúde e entretenimento. Tem espaço para crianças, debates, cordel, ilustração, mercado editorial e diferentes formas de viver a literatura.
Até a presença internacional mostra que literatura não conhece fronteira. Neste ano, a Espanha é o país convidado de honra, enquanto autores de diferentes lugares do mundo encontram leitores brasileiros.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior importância de uma Bienal.
Ela nos lembra que histórias aproximam pessoas.
Num mundo em que a gente passa horas deslizando o dedo pela tela, recebendo opiniões prontas e consumindo conteúdo em velocidade absurda, parar para ler algumas páginas parece quase um ato de resistência.
Porque ler exige presença.
Exige imaginação.
Exige tempo.
E talvez a gente esteja precisando disso mais do que nunca.
No fim das contas, você pode até sair da Bienal com uma sacola cheia de livros.
Mas o que você leva mesmo para casa é outra coisa:
uma história que pode mudar alguma coisa dentro da gente.
E agora quero saber de você:
📖 Qual foi o livro que marcou a sua vida?
Aquele que você terminou e ficou alguns minutos olhando para o nada.
Aquele que você emprestou e nunca mais viu.
Aquele que você leu escondido.
Ou aquele que você ainda não leu, mas continua dizendo: “um dia eu começo”.
Porque, convenhamos…
a vida é curta demais para uma lista de livros que nunca sai da lista de desejos.
E você? Foi à Bienal? Qual livro entrou na sua sacola – ou na sua lista de desejos?
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