E se o problema não for a cultura… mas o jeito que a gente se deixa levar?

Você lembra da última vez que você fez alguma coisa porque realmente quis, e não porque estava todo mundo fazendo? Pensa com calma, porque depois de tudo que a gente conversou nas últimas colunas, sobre consumir cultura e sobre quem cria cultura, fica difícil não se questionar um pouco mais. A verdade é que a cultura não entra na nossa vida arrombando a porta, ela entra de fininho, no que a gente assiste, no que a gente escuta, no jeito que a gente fala e até no que a gente começa a achar bonito ou não. E isso não é exagero: a cultura influencia de verdade a forma como a gente enxerga o mundo e se comporta.
Agora vem uma pergunta que pode incomodar um pouco: quantas coisas você gosta de verdade e quantas você aprendeu a gostar? Porque, às vezes, a gente acha que escolheu, mas só repetiu. Repetiu o que viu, o que viralizou, o que foi validado pelos outros. E aí entra um ponto mais direto desse papo: será que a gente está vivendo ou só performando? Não é sobre parar de consumir cultura, até porque a vida sem cultura seria vazia demais. Cultura é música, é série, é meme, é linguagem, é identidade, é o que conecta a gente. Mas também é o que pode confundir.
Quando tudo vira tendência, fica difícil entender o que é gosto e o que é influência. E eu não falo isso de longe, não. Eu também me pego nesse lugar às vezes, ouvindo algo só porque está em alta, assistindo algo só para não ficar de fora da conversa, entrando em uma vibe que nem sei se é realmente minha. E talvez você também já tenha se sentido assim. Então qual é o caminho? Não é se afastar da cultura, é se posicionar dentro dela. É começar a perceber o que realmente te atravessa, o que faz sentido para a sua história, o que te representa de verdade.
Porque cultura também é identidade, e identidade não pode ser só repetição. A cultura muda o tempo todo, se transforma, se adapta, e a gente também muda. Mas a questão é: você está evoluindo junto ou só se adaptando para caber? No fim das contas, o que você consome hoje tem mais a ver com quem você é ou com quem você acha que precisa ser? E talvez a pergunta mais importante de todas seja essa: se ninguém estivesse olhando, você ainda seria a mesma pessoa?
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