Dia do Gamer: games antigos ou atuais? 5 jogos que marcaram gerações

Dia do Gamer: games antigos ou atuais? 5 jogos que marcaram gerações

Dos cartuchos assoprados aos mundos cada vez mais realistas, os videogames mudaram completamente. Mas, no Dia do Gamer, fica uma pergunta: os jogos de hoje são realmente mais divertidos ou a tecnologia ainda não conseguiu superar algumas das memórias que construímos no passado?

Neste Dia do Gamer, celebrado em 29 de agosto, talvez seja inevitável olhar para a televisão, para o console de última geração e para os jogos que parecem cada vez mais próximos da realidade e pensar em quanto essa indústria evoluiu.

Hoje temos mundos gigantescos, personagens com expressões impressionantes, histórias cinematográficas, partidas online com pessoas do outro lado do planeta e tecnologias que seriam praticamente inimagináveis algumas décadas atrás.

Ainda assim, existe uma pergunta que nenhum teraflop, resolução em 4K ou tecnologia de ray tracing consegue responder sozinho:

Será que os games de hoje são realmente mais divertidos?

Ou será que parte da magia estava justamente naquela época em que tínhamos muito menos recursos, mas bastavam dois controles, uma televisão e alguns amigos ou familiares reunidos na sala para transformar uma tarde inteira em uma lembrança para a vida?

Talvez não exista uma resposta certa.

Porque videogame nunca foi apenas tecnologia.

Videogame também é memória.

É lembrar de quem estava sentado ao nosso lado. É reconhecer uma música nos primeiros segundos. É recordar uma fase que parecia impossível. É discutir porque alguém escolheu o mesmo personagem. É comemorar um gol como se fosse uma final de Copa do Mundo.

Por isso, neste Dia do Gamer, além de celebrar os videogames, resolvi fazer algo pessoal: revisitar cinco jogos, ou franquias, que atravessaram diferentes momentos da minha vida.

Não são necessariamente os cinco melhores games da história.

São cinco jogos que fazem parte da minha história.

Alex Kidd: quando poucos pixels eram suficientes para criar um universo

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Alex Kidd

Antes dos mundos abertos gigantescos e das experiências cinematográficas, existia uma época em que nossa imaginação completava aquilo que a tecnologia ainda não conseguia mostrar.

E Alex Kidd representa perfeitamente esse período.

Criado pela Sega nos anos 1980, o pequeno personagem de orelhas grandes se tornou um dos símbolos da empresa antes da chegada de Sonic. Entretanto, para muitos brasileiros, existe uma lembrança ainda mais específica: Alex Kidd in Miracle World.

O jogo marcou profundamente a geração do Master System.

A aventura parecia simples quando comparada aos padrões atuais. Alex corria, pulava, enfrentava inimigos e explorava diferentes cenários. Porém, havia algo especial naquele universo.

Inclusive, um dos elementos mais curiosos eram os confrontos decididos em partidas de pedra, papel e tesoura.

Hoje isso poderia parecer uma mecânica pequena.

Naquela época, entretanto, era suficiente para gerar tensão.

Alex Kidd também representa uma era diferente dos videogames: aquela em que terminar um jogo exigia insistência, memória e uma boa dose de paciência.

Não existiam atualizações gigantescas.

Não existiam centenas de tutoriais disponíveis imediatamente.

Às vezes, existia apenas você, o controle e aquela fase que parecia determinada a não deixar você passar.

E talvez justamente por isso a vitória tivesse outro sabor.

Sonic: quando velocidade ganhou nome, rosto e trilha sonora

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Imagem Sonic – Sega

Depois veio ele.

Azul.

Impaciente.

Rápido.

Muito rápido.

Sonic the Hedgehog não nasceu apenas para protagonizar um videogame. Ele surgiu para se tornar um símbolo da Sega e enfrentar diretamente a força que a Nintendo havia construído no mercado.

No entanto, para quem estava diante da televisão, toda aquela guerra empresarial pouco importava.

O que importava era correr.

E correr muito.

Quando Sonic acelerava pelas fases, loops e plataformas, existia uma sensação diferente de tudo aquilo que muitos jogadores tinham experimentado até então.

Além disso, havia os anéis.

A música.

As fases secretas.

O desespero de tomar uma pancada e assistir dezenas de anéis se espalhando pela tela.

Quem viveu sabe.

Sonic transformou velocidade em personalidade.

Entretanto, talvez sua maior conquista tenha sido outra: atravessar gerações.

Décadas depois, o personagem continua presente nos videogames, ganhou filmes e conquistou novos públicos.

Enquanto isso, quem cresceu jogando suas primeiras aventuras ainda consegue ouvir mentalmente determinados efeitos sonoros apenas ao lembrar daquele ouriço azul correndo pela tela.

Isso é algo que gráficos modernos não conseguem fabricar artificialmente.

Isso se chama memória afetiva.

International Superstar Soccer Deluxe: antes de Messi e Cristiano Ronaldo, existia Allejo

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Imagem Konami

Talvez seja impossível explicar completamente para alguém que não viveu os anos 1990 o tamanho de International Superstar Soccer Deluxe.

Principalmente no Brasil.

Muito antes de partidas online, Ultimate Team, atualizações semanais de elenco e jogadores digitalizados com enorme fidelidade, existia um jogo de futebol em que muitos atletas sequer utilizavam seus nomes verdadeiros.

E nós não estávamos nem aí.

Porque tínhamos Allejo.

Quem pegava a Seleção Brasileira sabia exatamente o que precisava fazer: colocar a bola no camisa 7.

Allejo corria.

Allejo driblava.

Allejo chutava.

Allejo resolvia.

Durante décadas, existiram teorias sobre quem teria inspirado aquele personagem praticamente sobrenatural do futebol virtual.

Até que o mistério finalmente terminou.

Em 2019, a Konami confirmou que Allejo havia sido inspirado em Bebeto, um dos grandes protagonistas do tetracampeonato mundial conquistado pela Seleção Brasileira em 1994.

E existe outra curiosidade deliciosa nessa história: Gomez, seu companheiro no ataque virtual brasileiro, era inspirado justamente em Romário.

Ou seja, mesmo sem utilizar os nomes oficiais, o videogame reproduzia de maneira particular uma das duplas de ataque mais importantes da história da Seleção.

Entretanto, existe algo ainda maior quando lembramos de International Superstar Soccer Deluxe.

As partidas no sofá.

Os campeonatos improvisados.

O “quem perder passa o controle”.

A provocação depois do gol.

Aquele amigo que dizia que o controle estava com problema depois de perder.

Talvez os jogos de futebol atuais sejam infinitamente superiores tecnicamente.

Mas conseguem reproduzir aquela sensação?

Essa resposta pertence a cada jogador.

GTA: quando descobrimos que o videogame poderia nos entregar uma cidade inteira

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Imagem Rockstar GTA San Andreas

Então os videogames começaram a crescer.

E poucas franquias simbolizam essa transformação tão bem quanto Grand Theft Auto.

GTA mudou nossa percepção sobre liberdade dentro de um jogo.

De repente, não existia apenas uma missão.

Existia uma cidade.

Carros.

Ruas.

Personagens.

Rádios.

Histórias paralelas.

E, principalmente, aquela sensação irresistível de que poderíamos simplesmente ignorar tudo aquilo que o jogo estava pedindo e sair explorando o mundo.

Ao longo dos anos, a franquia cresceu até se transformar em um dos maiores fenômenos da indústria do entretenimento.

Cada geração trouxe cidades maiores, personagens mais complexos e possibilidades que pareciam impensáveis anteriormente.

Então chegamos ao presente.

Depois de tantos anos vivendo histórias em Los Santos e acompanhando a longevidade impressionante de GTA V, agora existe uma expectativa gigantesca pelo próximo capítulo.

GTA VI.

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Imagem Rockstar GTA VI

Para quem acompanhou a evolução dos videogames desde os consoles de 8 e 16 bits, existe algo quase surreal nisso.

Saímos de personagens formados por poucos pixels para cidades digitais que parecem respirar.

Porém, apesar de toda essa evolução, continuamos fazendo exatamente a mesma coisa que fazíamos quando crianças:

contando os dias para jogar o próximo game.

Talvez algumas coisas nunca mudem.

Ainda bem.

The Last of Us Part I e II: quando jogar também significa sentir

Por fim, chegamos ao meu jogo favorito das últimas gerações.

Ou melhor, aos meus jogos.

The Last of Us Part I e The Last of Us Part II.

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Divulgação The Last of US

Se Alex Kidd representa infância, Sonic representa velocidade, International Superstar Soccer Deluxe representa amizade e GTA representa liberdade, The Last of Us representa algo diferente.

Sentimento.

A franquia mostrou de maneira brutal que videogames também podem contar histórias capazes de provocar emoções profundamente humanas.

Joel.

Ellie.

Dois personagens imperfeitos.

Duas pessoas tentando sobreviver em um mundo destruído.

Entretanto, quanto mais avançamos naquela jornada, mais percebemos que os infectados talvez sejam apenas parte do problema.

The Last of Us fala sobre amor.

Sobre perda.

Sobre medo.

Sobre escolhas.

Sobre vingança.

Sobre as consequências dessas escolhas.

E, principalmente, sobre até onde alguém seria capaz de chegar por outra pessoa.

O primeiro jogo constrói uma relação emocional poderosa entre Joel e Ellie. Posteriormente, o segundo decide fazer algo muito mais desconfortável: obrigar o jogador a observar aquela história através de diferentes perspectivas.

Nem sempre é agradável.

Nem deveria ser.

The Last of Us Part II provoca, incomoda e divide opiniões justamente porque coloca o jogador diante de sentimentos que normalmente gostaríamos de evitar.

E é exatamente por isso que, para mim, The Last of Us I e II representam o ponto em que percebi definitivamente que videogames podem ser muito mais do que entretenimento.

Podem ser arte.

Podem contar histórias.

Podem nos fazer questionar nossas próprias decisões.

E podem permanecer conosco muito depois dos créditos finais.

Afinal, os games antigos eram melhores?

Depois de passar por Alex Kidd, Sonic, Allejo, GTA, Joel e Ellie, volto à pergunta que iniciou este texto.

Os videogames eram melhores antigamente?

Talvez não.

Os jogos atuais alcançaram um nível tecnológico extraordinário. Temos universos enormes, inteligência artificial cada vez mais sofisticada, narrativas complexas, áudio tridimensional, experiências online e possibilidades que simplesmente não existiam algumas décadas atrás.

Por outro lado, existe algo que tecnologia nenhuma consegue atualizar:

a época da nossa vida em que jogamos determinado game.

Talvez aquele jogo antigo não tivesse gráficos incríveis.

Talvez o controle tivesse dois ou três botões principais.

Talvez o personagem fosse praticamente um conjunto de quadrados coloridos.

Mas seu melhor amigo estava sentado ao lado.

Seu irmão estava esperando a vez.

Seu pai ou sua mãe talvez estivesse tentando entender como funcionava aquele controle.

E ninguém precisava estar conectado à internet.

Porque todo mundo que importava naquele momento estava conectado na mesma sala.

É justamente aí que mora a magia.

Portanto, talvez a discussão não precise escolher entre passado e presente.

Os games antigos nos deram algumas das nossas primeiras memórias.

Enquanto isso, os atuais estão criando as memórias que provavelmente iremos contar daqui a 20 ou 30 anos.

No fim das contas, gerações mudam.

Consoles mudam.

Gráficos evoluem.

Controles ganham novos recursos.

Mas existe uma coisa que permanece igual.

A vontade de apertar START.

Agora é a sua vez

Neste Dia do Gamer, quero passar o controle para você.

Você prefere os games atuais, com gráficos impressionantes, mundos gigantescos e cada vez mais tecnologia, ou sente falta daquela época mais simples, em que reunir os amigos e a família diante da televisão já garantia horas de diversão?

E mais:

qual jogo marcou a sua vida?

Pode ser Mario, Sonic, Street Fighter, Mortal Kombat, Winning Eleven, Resident Evil, GTA, God of War, The Last of Us ou aquele título que quase ninguém lembra, mas que significa tudo para você.

E para fechar a discussão:

qual é, ou foi, o seu console preferido de todos os tempos?

Master System? Mega Drive? Super Nintendo? Nintendo 64? PlayStation? Xbox? Alguma geração mais recente?

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Independentemente da resposta, hoje existe uma certeza que une todas essas gerações.

Todo gamer possui um jogo que nunca termina de verdade.

Porque alguns continuam sendo jogados na memória.

Feliz Dia do Gamer.

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