Dia do Gamer: como os videogames se tornaram parte da cultura pop

De consoles e fliperamas a filmes, séries, esports e grandes eventos, os jogos deixaram de ocupar um espaço de nicho e passaram a influenciar diferentes áreas do entretenimento
O Dia Internacional do Gamer é celebrado neste sábado (29), mas os videogames já não cabem apenas dentro dos consoles, computadores ou celulares. Ao longo das últimas décadas, os jogos passaram de uma forma de entretenimento vista como nichada para um dos principais elementos da cultura pop, influenciando o cinema, as séries, a música, os eventos e até a maneira como diferentes comunidades se relacionam.
A própria dimensão desse público ajuda a explicar essa transformação. A Pesquisa Game Brasil 2026 aponta que 75,3% dos brasileiros entrevistados consomem jogos digitais, enquanto 86,7% consideram os games uma das principais formas de entretenimento. O levantamento ouviu 7.115 pessoas entre 16 e 55 anos, em março deste ano.

Mais do que uma mudança nos números, essa expansão transformou a maneira como os jogos são percebidos. Hoje, personagens, histórias e universos criados nos games ultrapassam as telas e chegam a outras áreas do entretenimento.
De passatempo a fenômeno cultural
A história dos videogames começou muito antes de franquias como Super Mario, The Legend of Zelda ou PlayStation se tornarem referências mundiais. Os primeiros jogos eletrônicos eram experiências bastante simples, mas ajudaram a estabelecer uma nova forma de interação entre público e tecnologia.
Com a popularização dos fliperamas e, posteriormente, dos consoles domésticos, os videogames passaram a fazer parte da rotina de diferentes gerações. O avanço tecnológico permitiu que os jogos incorporassem narrativas mais elaboradas, personagens complexos, trilhas sonoras próprias e mundos cada vez maiores.
Essa evolução também mudou a relação entre jogador e obra. Diferentemente de um filme ou série, o game permite que o público participe diretamente da experiência e, em muitos casos, tome decisões que interferem no desenvolvimento da história.
Para Hideo Kojima, essa combinação é justamente parte do que torna os jogos diferentes de outras formas de entretenimento. Em entrevista sobre a exposição The Art of Video Games, o criador de Metal Gear descreveu os games como “uma arte colaborativa”, resultado da combinação entre tecnologia, história e arte.
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Games começaram a ocupar outros espaços
A expansão dos videogames também pode ser observada fora das telas em que são jogados. Personagens e franquias passaram a aparecer em filmes, séries, animações, quadrinhos, brinquedos, roupas e outros produtos, criando universos que podem ser explorados em diferentes formatos.
Nos últimos anos, adaptações como The Last of Us e Fallout ajudaram a aproximar ainda mais o público dos games e do audiovisual. Ao mesmo tempo, grandes franquias do cinema e da cultura pop passaram a incorporar personagens e elementos dos jogos em diferentes projetos.
Os próprios eventos especializados mostram essa transformação. Feiras como a Brasil Game Show e a gamescom latam passaram a reunir não apenas jogadores, mas também desenvolvedores, empresas, criadores de conteúdo, influenciadores e fãs interessados em acompanhar as novidades da indústria.
No Brasil, essa expansão aparece também no perfil do público. Segundo a PGB 2026, 52,8% dos consumidores de jogos digitais são mulheres, enquanto a Geração Z representa 36,5% desse público.
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O gamer também mudou
A ideia de que existe apenas um tipo de jogador também ficou para trás. A pesquisa de 2026 mostra que os jogos fazem parte da rotina de diferentes gerações e são consumidos em plataformas variadas. O smartphone aparece como plataforma preferida, com 44,1%, seguido por console, com 24%, e PC, com 21,1%.
O crescimento dos jogos online também transformou o videogame em uma experiência social. Jogar deixou de ser necessariamente uma atividade individual e passou a envolver amigos, comunidades, transmissões ao vivo, competições e criação de conteúdo.
Os esports são uma das maiores expressões dessa mudança. Competições de games passaram a ocupar arenas, movimentar grandes públicos e receber investimentos de organizações que antes estavam associadas principalmente a outros esportes e áreas do entretenimento.

A comunidade gamer, portanto, deixou de ser definida apenas pelo tempo dedicado aos jogos. Ela passou a envolver diferentes formas de participação, desde quem joga casualmente no celular até quem acompanha campeonatos, cria conteúdo, desenvolve jogos ou participa de comunidades online.
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Videogame também virou memória afetiva
Talvez uma das maiores forças dos games esteja justamente na capacidade de atravessar gerações.
Uma pessoa que conheceu Super Mario Bros. em um console antigo pode hoje acompanhar novas aventuras do personagem. Quem cresceu jogando Pokémon pode continuar conectado à franquia por meio de jogos, animações, cartas e outros produtos.
O mesmo acontece com franquias como The Legend of Zelda, Final Fantasy, Resident Evil, Sonic, Minecraft, Fortnite e tantas outras.
Os jogos passaram a carregar não apenas entretenimento, mas também memórias, personagens e experiências compartilhadas. É por isso que determinados lançamentos conseguem movimentar pessoas que começaram a jogar décadas atrás e, ao mesmo tempo, conquistar públicos que estão tendo o primeiro contato com aquela franquia.
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O Dia do Gamer nasceu dentro da própria indústria
Apesar de hoje ser lembrado em diferentes países, o Dia Internacional do Gamer não surgiu a partir de uma instituição internacional ou de um acontecimento histórico específico.
A data de 29 de agosto ganhou força em 2008, quando revistas espanholas especializadas em videogames passaram a promover o dia como uma celebração dedicada aos jogadores e à importância dos games.
Desde então, a comemoração passou a fazer parte do calendário da comunidade gamer e ganhou espaço entre empresas, veículos especializados e fãs.
Mais de uma década depois, a própria realidade da indústria ajuda a explicar por que a data ganhou força: os jogos já fazem parte de uma cultura muito maior do que o ato de simplesmente jogar.
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Muito além de apertar botões
O videogame continua sendo diversão. Continua sendo competição. Continua sendo uma maneira de passar algumas horas enfrentando inimigos, explorando mundos ou tentando bater um recorde.
Mas também se tornou uma linguagem da cultura pop.
Os games criam personagens reconhecidos mundialmente, histórias adaptadas para outras mídias, comunidades que atravessam fronteiras e experiências que podem ser compartilhadas entre diferentes gerações.
No Brasil, onde mais de três quartos dos entrevistados pela PGB 2026 afirmam consumir jogos digitais, essa presença já está incorporada ao cotidiano de uma parcela enorme da população.
Por isso, o Dia do Gamer pode ser mais do que uma data para celebrar quem joga. É também uma oportunidade para reconhecer como os videogames deixaram de ocupar apenas um espaço na indústria do entretenimento e passaram a ajudar a definir a própria cultura pop.
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