Tim Curry morre aos 80 anos e deixa legado que vai muito além de Pennywise

De Frank-N-Furter a Pennywise, ator britânico transitou por terror, comédia, fantasia, teatro e dublagem e deu vida a personagens que atravessaram gerações
Tim Curry morreu aos 80 anos, em Los Angeles, encerrando uma carreira de quase seis décadas marcada por personagens tão diferentes que é difícil resumir seu legado a apenas um deles. Conhecido principalmente por Dr. Frank-N-Furter, de The Rocky Horror Picture Show, e Pennywise, de It, o ator também construiu uma trajetória expressiva no teatro, na televisão, no cinema e na dublagem.
A morte aconteceu na terça-feira (25), após anos de problemas de saúde. Segundo a Reuters, Curry morreu em sua casa em Los Angeles; a causa não foi divulgada. Mesmo com as limitações provocadas por um AVC sofrido em 2012, ele continuou trabalhando e chegou a retornar ao cinema em Stream, lançado em 2024.
Mas falar de Tim Curry apenas como “o Pennywise” seria deixar de fora justamente uma das características mais fascinantes de sua carreira: a capacidade de desaparecer dentro de personagens completamente diferentes.
Frank-N-Furter: o papel que mudou sua carreira

Antes de conquistar Hollywood, Curry já era uma presença importante nos palcos britânicos. Foi justamente no teatro que surgiu o papel que mudaria sua vida.
Em 1973, ele estreou como Dr. Frank-N-Furter na produção teatral de The Rocky Horror Show. Dois anos depois, levou o personagem para o cinema em The Rocky Horror Picture Show.
Frank-N-Furter não era apenas um vilão excêntrico. A interpretação de Curry ajudou a transformar o longa em um fenômeno cult, e sua mistura de provocação, humor, teatralidade e ambiguidade sexual tornou o personagem uma das figuras mais reconhecidas da cultura pop.
Foi também um papel que mostrou uma característica que acompanharia o ator pelo restante da carreira: Curry nunca parecia interessado em interpretar o convencional.
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De vilão em It a um dos maiores ícones do terror

Mais de uma década depois, Curry encontrou outro personagem que ficaria inseparável de seu nome. Na minissérie It, de 1990, baseada no romance de Stephen King, ele interpretou Pennywise, o palhaço que se alimenta do medo das crianças de Derry.
A atuação foi tão marcante que, por muitos anos, a imagem de Curry caracterizado como Pennywise se tornou praticamente a representação definitiva do personagem para uma geração.
O trabalho ganhou ainda mais força porque Curry não dependia apenas de maquiagem ou efeitos. Sua voz, seus movimentos e a maneira aparentemente brincalhona com que Pennywise ameaçava suas vítimas eram parte fundamental do terror.
O ator que também sabia fazer rir
Talvez uma das melhores maneiras de entender o alcance de Tim Curry seja observar o que aconteceu depois de It. O mesmo ator que havia assustado uma geração apareceu em Clue, numa comédia de mistério que se tornou cult, e posteriormente em filmes como Esqueceram de Mim 2.
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Em Muppet Treasure Island, Curry interpretou Long John Silver, ampliando novamente seu repertório dentro da aventura e da fantasia.
Essa versatilidade fez com que sua carreira jamais dependesse de um único gênero. Curry podia ser exagerado, assustador, elegante, ridículo ou absolutamente teatral, muitas vezes dentro do mesmo personagem.
A voz também era uma de suas maiores armas
A trajetória de Curry não terminou diante das câmeras. Seu trabalho de voz se tornou uma parte importante da carreira, especialmente em animações e videogames. Entre os destaques está Peter Pan and the Pirates, produção pela qual recebeu um Daytime Emmy por seu trabalho como dublador.
O timbre grave e imediatamente reconhecível ajudava a transformar personagens animados em figuras tão marcantes quanto seus papéis em live-action.
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Foi também uma forma de Curry continuar atuando em diferentes formatos mesmo depois que sua mobilidade ficou mais limitada.
Teatro sempre esteve no centro
Antes de ser associado ao cinema de gênero, Curry era um ator de teatro extremamente respeitado. Sua trajetória na Broadway inclui produções como Amadeus, My Favorite Year e Monty Python’s Spamalot, trabalhos que lhe renderam três indicações ao Tony.
Esse passado teatral ajuda a explicar por que suas performances tinham uma intensidade tão particular. Mesmo em produções de terror ou comédia, Curry atuava como alguém que sabia exatamente o impacto que um gesto, uma pausa ou uma mudança na voz poderia provocar.
Um legado que atravessa gêneros e gerações
Tim Curry não foi apenas o homem por trás de dois personagens icônicos. Ele foi Frank-N-Furter, Pennywise, um mordomo envolvido em um mistério, um pirata, um personagem de animação, um artista de palco e um dos grandes nomes da atuação vocal de sua geração.
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Ao longo da carreira, gravou álbuns de rock, trabalhou na televisão, no cinema, no teatro e continuou encontrando maneiras de atuar mesmo depois dos problemas de saúde que limitaram sua atividade.
Após a notícia da morte, homenagens começaram a surgir de colegas e artistas, entre eles Michael McKean, Luke Evans e Josh Gad, além dos próprios Muppets.
Tim Curry deixa uma carreira difícil de encaixar em uma única categoria e talvez esse seja justamente o maior elogio que se pode fazer a ele.
