Cidade de Deus: Kiko Marques comenta transformação de Cabeção em secretário de Segurança

Cidade de Deus: Kiko Marques comenta transformação de Cabeção em secretário de Segurança
Foto: Felipe Vasconcelos

Em coletiva acompanhada pelo LazCult, ator relacionou a trajetória do personagem à corrupção e ao poder; segunda temporada também amplia a trama política e marca o retorno de Cenoura

A transformação de Cabeção em secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro é um dos caminhos explorados pela segunda temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para. Durante a coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), Kiko Marques comentou o destino do personagem após uma pergunta do LazCult sobre o desfecho do filme de 2002 e a possibilidade de um acerto de contas na série.

Conhecido por sua atuação no universo do crime, Cabeção assume uma posição de poder institucional na nova fase da história. Para Kiko, a trajetória do personagem evidencia contradições sociais e a relação entre criminalidade, corrupção e estruturas de poder.

Ao comentar a mudança, o ator destacou a capacidade de sobrevivência e a inteligência do personagem, que utiliza as oportunidades para avançar. Kiko também chamou atenção para o contraste entre a função que Cabeção deveria exercer como representante do Estado e sua relação com o crime.

A resposta do ator foi além do destino individual do personagem e se conectou a um dos temas centrais da nova temporada: a aproximação entre a violência vivida na comunidade e as estruturas políticas que atuam fora dela.

Segunda temporada amplia trama para o thriller político

O diretor Aly Muritiba afirmou que a nova temporada aprofunda as histórias dos personagens e amplia o universo da série para a esfera política. Segundo ele, a produção mantém os elementos de ação característicos de Cidade de Deus, mas investe também na intimidade dos moradores, em seus conflitos, sonhos e relações familiares.

“Temos agora na segunda temporada um thriller político muito forte”, declarou o diretor durante a coletiva.

A trama passa a explorar como os acontecimentos na comunidade se relacionam com decisões tomadas nos gabinetes e com interesses que atravessam diferentes esferas de poder. Para Muritiba, essa expansão permite construir uma narrativa mais complexa, sem abandonar as características que marcaram a produção desde o início.

O diretor também destacou o retorno de Cenoura, interpretado por Matheus Nachtergaele, e a interação do ator com os artistas mais jovens que integram o elenco.

Matheus Nachtergaele explica retorno de Cenoura

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Foto: Divulgação

O retorno de Cenoura é outro destaque da segunda temporada. Matheus Nachtergaele explicou que a construção do personagem sempre foi diferente de outros trabalhos de sua carreira, porque nasceu de um processo de convivência, observação e improvisação durante a produção do filme original.

Na nova fase, Cenoura retorna após cumprir pena e tentar se afastar da criminalidade. Ele volta à comunidade por razões afetivas e passa a lidar com uma nova geração envolvida em conflitos violentos.

Nachtergaele ressaltou que o personagem não deve ser tratado como herói, apesar de possuir um código próprio de conduta. Na visão do ator, Cenoura vive uma contradição entre os valores pessoais que acredita defender e a atividade criminosa à qual está ligado.

O artista também destacou a liberdade que encontrou durante as gravações para construir as cenas a partir das reações dos outros atores, especialmente os mais jovens.

Berenice enfrenta o poder das milícias e da política

A dimensão política da temporada também atravessa a trajetória de Berenice, personagem de Roberta Rodrigues. Na coletiva, a atriz destacou os desafios enfrentados por uma mulher negra que busca espaço na política e precisa lidar com estruturas de poder ligadas às milícias e ao próprio governo.

Berenice representa uma resistência a esse sistema, mas seu caminho não é simples. Segundo Roberta, a personagem precisará rever estratégias e enfrentar pessoas com quem não gostaria de se envolver para tentar alcançar a justiça que procura.

Andreia Horta, que interpreta Jerusa, também ressaltou a oposição entre os interesses individuais e a busca por soluções coletivas. Para a atriz, a personagem representa a violência como forma de comunicação e poder, além de uma conexão entre o crime organizado e as estruturas do Estado.

As declarações reforçam a importância da política na narrativa da nova temporada, que coloca em confronto diferentes formas de poder e seus efeitos sobre a comunidade.

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Foto: Divulgação

Elenco destaca impacto de Cidade de Deus no audiovisual brasileiro

Além dos conflitos ficcionais, os atores falaram sobre a importância da produção em suas trajetórias e para o audiovisual nacional.

Matheus Nachtergaele classificou a continuidade da história, mais de duas décadas após o filme original, como um sinal da força do audiovisual brasileiro e da permanência de obras que conquistam o público. O ator também destacou a influência de Cidade de Deus na estética do cinema nacional.

Alexandre Rodrigues, que retorna ao universo da produção, comentou o impacto que a obra teve na vida das pessoas. Já Victor Andrade, cuja estreia aconteceu na primeira temporada da série, ressaltou a emoção de integrar um projeto ligado à comunidade de onde vem.

Sabrina Rosa também chamou atenção para a importância das políticas de incentivo à cultura. Integrante do grupo de teatro Nós do Morro, que completa 40 anos em 2026, a atriz destacou as dificuldades financeiras enfrentadas por iniciativas culturais e defendeu a continuidade do investimento na produção artística brasileira.

A segunda temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para chega à HBO Max e ao canal HBO em 8 de novembro. A produção retoma personagens conhecidos e amplia o conflito para além das disputas territoriais, explorando a relação entre violência, política, comunidade e interesses individuais.

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