Panini aposta em experiências e colecionismo para aproximar fãs

Editora aponta mudanças na relação com quadrinhos e mangás e destaca comunidade, experiências presenciais e produtos colecionáveis como parte da conexão com o público
Ler uma história é apenas uma parte da relação que muitos fãs constroem com quadrinhos e mangás. Para a Panini, essa conexão também passa pelo objeto físico, pela experiência de encontrar outros leitores e pelo desejo de transformar determinadas obras em itens de coleção.
Em entrevista exclusiva ao LazCult, Camila Fernandes Martins, Coordenadora de Marketing de Publicações da Panini, explica como a editora trabalha essa relação com o público e o que tem observado entre leitores e colecionadores.
A estratégia aparece em diferentes frentes do catálogo, que reúne quadrinhos, mangás, publicações da Turma da Mônica e colecionáveis. Mais do que oferecer produtos, a proposta é criar diferentes pontos de contato entre as histórias e seus fãs.
Quando o quadrinho também vira objeto de coleção
Para a Panini, o leitor não está interessado apenas na história que encontrará dentro de uma publicação. A apresentação do produto e a experiência de tê-lo na estante também fazem parte da relação construída com a obra.
“A gente percebe um público superatento aos detalhes, que valoriza desde uma boa história a um bom produto que vai chegar às suas estantes”, afirma Camila.
Segundo ela, o público brasileiro de mangás também passou a demonstrar interesse por uma variedade maior de gêneros. Se os grandes shonens de ação continuam presentes, a editora identifica procura por comédias, romances, histórias do cotidiano e edições de colecionador.
- Panini aposta em experiências e colecionismo para aproximar fãs
- Alameda dos Artistas leva quadrinhos para além dos eventos especializados
Esse cenário amplia as possibilidades para quem acompanha o segmento e também para as editoras que precisam trabalhar com públicos cada vez mais específicos.
Entre os títulos destacados pela Panini estão obras como Romantic Killer, Absolute Batman, Homem-Aranha: Um Novo Dia e lançamentos de mangá como Colégio Ouran Host Club. No segmento de colecionáveis, produtos de Snoopy e dos Rosas também chamaram atenção do público.
A experiência começa antes da leitura

Durante eventos presenciais, a Panini aposta em ativações, brindes e experiências interativas para transformar o contato com seus produtos em uma experiência mais ampla. “A Bienal é o grande momento de encontrar nosso público olho no olho”, explica Camila.
A estratégia inclui espaços para fotos com personagens, brindes exclusivos e quizzes. Segundo a executiva, a intenção é fazer com que o visitante associe a experiência às histórias que já conhece ou descubra novas obras a partir daquele primeiro contato.
- Faísca: HQ infantil é uma boa opção para incentivar a leitura
- Mauricio de Sousa apresenta novo gibi da MSP após quase 40 anos sem lançamentos inéditos solo
“Queremos que a visita ao estande faça parte da memória da feira, seja tirando uma foto com os personagens, garantindo um brinde exclusivo ou participando dos quizzes”, afirma.
O modelo mostra como eventos podem funcionar não apenas como pontos de venda, mas também como espaços de aproximação entre marcas editoriais e comunidades de fãs.
De leitor a colecionador

Transformar uma pessoa que teve contato ocasional com uma publicação em alguém que acompanha regularmente uma série ou começa uma coleção é um dos desafios apontados pela Panini. Para Camila, a resposta passa pela sensação de pertencimento. “O grande desafio hoje é disputar o tempo e a atenção do público diante de tantas opções de entretenimento digital e de consumo imediato”, afirma.
Nesse cenário, a comunidade ganha importância. Conversar sobre histórias, encontrar outros fãs e participar de eventos são experiências que podem fazer com que a relação com determinada obra ultrapasse o momento da compra.
- Supergirl ganha nova arte de Bilquis Evely e reforça origem nos quadrinhos
- Entrevista com o criador da Turma da Mônica, Mauricio de Souza.
“Quando o leitor casual descobre outros fãs, participa de conversas sobre as histórias, frequenta eventos e percebe que faz parte de uma comunidade apaixonada, o envolvimento com a leitura ganha uma dimensão muito maior e se consolida no longo prazo”, explica.
A lógica ajuda a entender por que o colecionismo não se resume à aquisição de produtos. Para determinados públicos, cada edição, personagem ou objeto também pode funcionar como uma forma de demonstrar afinidade com um universo e compartilhar essa paixão com outras pessoas.
A força das franquias e das histórias brasileiras

Entre os destaques recentes da Panini está a 50ª Graphic MSP, marco da parceria com a Mauricio de Sousa Produções. O projeto permite que diferentes quadrinistas brasileiros reinterpretarem personagens da Turma da Mônica a partir de seus próprios estilos e propostas narrativas.
Para Camila, chegar à marca de 50 volumes representa a continuidade de uma trajetória que abriu espaço para diferentes visões autorais dentro de um universo conhecido do público brasileiro.
“Esse projeto revolucionou o mercado nacional ao abrir espaço para quadrinistas brasileiros reinterpretarem os personagens mais queridos do Brasil sob visões autorais e universos visuais diversos”, afirma.
A presença de títulos nacionais ao lado de grandes franquias internacionais também mostra como diferentes portas de entrada podem coexistir dentro do mercado editorial.
Mais do que vender uma publicação
A estratégia descrita pela Panini aponta para uma relação em que o produto é apenas um dos elementos de uma experiência maior.
O leitor pode chegar por uma história, permanecer por uma coleção, descobrir outros títulos a partir de uma comunidade ou estabelecer uma relação afetiva com determinado personagem. Eventos, edições especiais e produtos licenciados passam a ocupar esse mesmo ecossistema.
É uma dinâmica que ajuda a explicar por que quadrinhos e mangás continuam encontrando espaço em um cenário no qual o público disputa atenção com diferentes formas de entretenimento.
No caso da Panini, a aposta está em aproximar esses universos do público por diferentes caminhos da publicação que chega às estantes à experiência compartilhada entre fãs.
Compartilhe:
