Da margem ao centro: a força da cultura periférica no Brasil

Da margem ao centro: a força da cultura periférica no Brasil

Durante muito tempo, a periferia foi retratada apenas a partir da falta: falta de acesso, de oportunidades, de visibilidade. Mas a realidade cultural brasileira mostra exatamente o contrário. Das bordas das grandes cidades surgem algumas das expressões artísticas mais potentes, inovadoras e influentes do país.

A cultura periférica não nasce como tendência, nasce como necessidade. É na música, na dança, na poesia falada, no grafite e no audiovisual que moradores das periferias constroem narrativas próprias, rompem estigmas e disputam espaço simbólico. O rap, o funk, o slam, o passinho e a arte urbana não apenas contam histórias locais: elas ecoam vivências coletivas que dialogam com milhões de brasileiros.

Mais do que resistência, há criação. A periferia cria linguagem, estética, comportamento e identidade. Expressões que antes eram marginalizadas hoje pautam a indústria cultural, influenciam marcas, campanhas publicitárias, moda e até o vocabulário cotidiano. Ainda assim, o reconhecimento institucional muitas vezes chega atrasado, quando chega.

Com o avanço das redes sociais e das plataformas digitais, artistas periféricos passaram a ocupar seus próprios espaços de fala, sem depender exclusivamente de validação externa. O que se vê é uma cultura viva, pulsante, que se reinventa constantemente e desafia a ideia de que o centro é o único lugar legítimo da produção cultural.

Reconhecer a cultura periférica como potência é reconhecer o Brasil real: múltiplo, criativo e em movimento. Afinal, das margens também se constrói o que chamamos de cultura nacional.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *