O que resta de nós: um romance sensível sobre luto, recomeços e encontros que curam

O que resta de nós: um romance sensível sobre luto, recomeços e encontros que curam

No livro O que resta de nós, Virginie Grimaldi entrelaça humor e dor ao narrar a convivência improvável de três desconhecidos marcados pela vida

O que resta de nós, de Virginie Grimaldi, é um romance contemporâneo que fala sobre encontros improváveis, perdas profundas e a força dos recomeços. Um livro que encontra o leitor de maneira certeira, como uma flecha no alvo, e toca a alma com delicadeza e humanidade.

Um livro sobre encontros e destinos

Trata-se de um livro de encontros — encontros de destinos. A autora constrói uma narrativa que alterna com maestria entre drama e humor, provocando emoção sem pesar excessivo e arrancando sorrisos nos momentos mais inesperados.

Conhecemos três personagens de idades e personalidades distintas, unidos por algo essencial: as cicatrizes deixadas pela vida. São eles Jeanne, Iris e Théo.

Personagens marcados pela vida

Jeanne: o luto e a solidão

Jeanne perdeu o grande amor de sua vida. Agora, precisa enfrentar a solidão no apartamento onde viveu por décadas com o marido. Seu refúgio está nas visitas diárias ao túmulo de Pierre, seu falecido companheiro, sempre acompanhada de Boldini, sua fiel cadela. Com dificuldades financeiras, Jeanne decide alugar um quarto como forma de seguir em frente — decisão que mudará completamente sua vida.

Théo: juventude e abandono

Théo acaba de completar 18 anos. Até pouco tempo, morava em seu carro recém-comprado, mas após o veículo ser rebocado, fica sem ter para onde ir. O quarto de Jeanne surge como única opção possível: perto do trabalho e compatível com seu salário.

Iris: fuga e recomeço

Iris está desesperada por um novo começo. Após ser obrigada a deixar o apartamento onde morava, ela precisa encontrar um lugar rapidamente — e, mais do que isso, precisa se esconder de alguém de seu passado abusivo.

Uma convivência que transforma

Diante da situação delicada dos dois candidatos, Jeanne toma uma decisão inesperada: aluga os dois quartos. Assim, três completos estranhos passam a dividir o mesmo apartamento.A convivência, inicialmente silenciosa e cautelosa, começa a despertar sentimentos inesperados. Cada um carrega sua própria dor, mas, aos poucos, os laços se formam de maneira natural. O que nasce da necessidade se transforma em acolhimento, cuidado e afeto.

Recomeçar é possível

A grande mensagem de O que resta de nós é clara: sempre é possível recomeçar. A autora mostra como cada personagem lida com suas fragilidades e como o encontro entre eles se torna um presente inesperado. Mesmo se sentindo sozinhos, eles encontram companhia uns nos outros. Aos poucos, nasce algo maior: uma família improvável, um lar construído não por laços de sangue, mas por empatia e afeto.

Uma escrita leve e envolvente

Os capítulos alternados permitem ao leitor acessar a alma de cada personagem, criando empatia e aprofundamento emocional. Quando compreendemos seus passados — e como seus caminhos já haviam se cruzado antes — percebemos que a vida sempre surpreende. O destino, afinal, nunca falha. O que resta de nós conquista pela escrita leve, fluida e envolvente. Virginie Grimaldi conduz a narrativa com sensibilidade, equilibrando emoção e esperança, e entrega um livro que aquece o coração mesmo ao tratar de temas dolorosos.

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