A Múmia 4 e outros filmes mostram por que Hollywood ignora sequências de franquias

A volta de Brendan Fraser e Rachel Weisz retoma a história após O Retorno da Múmia e levanta uma questão recorrente em Hollywood: por que alguns filmes deixam capítulos anteriores fora da continuidade?
Hollywood encontrou uma maneira de recuperar franquias antigas sem precisar seguir todos os acontecimentos de suas sequências: escolher quais filmes continuam valendo dentro da história. A decisão está no centro de A Múmia 4, que reunirá Brendan Fraser e Rachel Weisz novamente como Rick e Evelyn O’Connell, mas não dará continuidade aos eventos de A Múmia: Tumba do Imperador Dragão, lançado em 2008.
O novo longa retoma a história após O Retorno da Múmia, de 2001, deixando de lado o terceiro filme da franquia. A escolha também marca o retorno de Weisz ao papel de Evelyn, personagem que não interpretou no longa de 2008, quando foi substituída por Maria Bello.
A decisão de deixar o terceiro filme de lado também virou motivo de brincadeira entre os integrantes da franquia. Durante a Comic Con Holland, Oded Fehr comentou, em tom bem-humorado, que A Múmia teve apenas dois filmes.
A estratégia não é inédita. Franquias como Halloween e O Exterminador do Futuro também já deixaram parte de suas sequências para trás para retomar histórias conhecidas por outro caminho. Mais do que uma simples decisão de roteiro, essa escolha altera a continuidade e define quais acontecimentos o público deve considerar parte daquela narrativa.
O que significa ignorar um filme da franquia?
Quando uma produção decide desconsiderar acontecimentos de um longa anterior, ela redefine a continuidade da história. Isso não significa necessariamente apagar o filme da existência ou impedir que ele continue sendo assistido. A mudança vale para a narrativa que será desenvolvida dali em diante.
- A Múmia 4 e outros filmes mostram por que Hollywood ignora sequências de franquias
- O Outro Lado das Redes: filme de Aaron Sorkin investiga os bastidores do Facebook
A decisão pode assumir diferentes formas. Um reboot reinicia uma franquia, apresentando uma nova versão de personagens ou de seu universo. Já uma continuação pode preservar os protagonistas e os acontecimentos de um filme específico, ignorando outros capítulos lançados entre eles.
Também existe o retcon, abreviação de continuidade retroativa, quando uma obra modifica ou reinterpreta informações estabelecidas anteriormente. Os conceitos podem se aproximar, mas não são sinônimos: uma franquia pode continuar a história de um filme antigo sem refazer toda a sua premissa.
No caso de A Múmia 4, a escolha é retomar a narrativa após O Retorno da Múmia. Com isso, o terceiro longa deixa de ser a referência para a nova continuação, mesmo continuando a fazer parte da filmografia oficial da série.
Halloween retomou a história a partir do primeiro filme
A franquia Halloween oferece um exemplo conhecido dessa estratégia. Em 2018, o longa dirigido por David Gordon Green retomou a história de Michael Myers e Laurie Strode diretamente a partir do filme original, lançado em 1978.
- Miami Vice: Michael B. Jordan e Austin Butler aparecem caracterizados em primeira imagem do reboot
- HBO Max anuncia elenco de série sobre a Democracia Corinthiana
A decisão deixou de lado os acontecimentos das sequências anteriores. Uma das mudanças mais importantes foi a relação entre Laurie e Michael: a revelação de que os dois eram irmãos, introduzida em Halloween II, de 1981, não fazia parte da continuidade adotada pelo filme de 2018.
A escolha permitiu que a nova produção desenvolvesse outro caminho para a personagem de Jamie Lee Curtis, agora marcada pelas consequências do ataque ocorrido décadas antes. Em vez de precisar explicar todos os acontecimentos acumulados ao longo da franquia, o filme estabeleceu uma nova base para a história.
O resultado foi uma continuação ligada diretamente ao original, mas que não exigia que o público considerasse todos os filmes anteriores para compreender aquela versão dos personagens.
O Exterminador do Futuro também deixou sequências para trás
Outro caso é O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, de 2019. O longa retomou a história após O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, de 1991, desconsiderando os acontecimentos de O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, A Salvação e Gênesis.
- Michael Jackson ganhará documentário sobre apresentação histórica no Super Bowl
- Nárnia: O Sobrinho do Mago ganha primeiro trailer
A decisão permitiu que a produção trabalhasse a partir do desfecho do segundo filme, em vez de precisar continuar os caminhos narrativos desenvolvidos nas sequências posteriores.
Assim como em Halloween, a escolha não significou que os filmes anteriores deixaram de existir. Eles continuam disponíveis e fazem parte da história de suas respectivas franquias. O que mudou foi a continuidade escolhida para aquele novo capítulo.
Os exemplos mostram como uma série pode ter diferentes linhas narrativas ao longo do tempo. Para o público, porém, a mudança também pode gerar dúvidas sobre quais filmes assistir antes de uma nova estreia.
Por que Hollywood faz isso?
Uma franquia que acumula várias sequências também acumula personagens, acontecimentos e explicações que precisam ser considerados nos filmes seguintes. Em alguns casos, os realizadores preferem retomar a história a partir de um capítulo específico, reduzindo a quantidade de elementos que precisam manter na continuidade.
- Review: Se Eu Fosse Você 3 resgata a nostalgia e conquista com o novo elenco
- Alice Carvalho fala sobre “Marta” durante gravações na Suécia
Foi essa a lógica adotada em Halloween (2018). Em entrevista ao Fandango, o diretor David Gordon Green explicou que a equipe chegou à conclusão de que os acontecimentos do segundo filme estavam se tornando um obstáculo para a história que pretendia contar. A proposta era continuar diretamente o longa original de 1978 e simplificar a mitologia da franquia.
A decisão permite que uma nova produção estabeleça suas próprias prioridades narrativas, sem precisar responder a todos os caminhos explorados pelas sequências anteriores. Isso pode facilitar a compreensão para quem não acompanhou a franquia inteira, embora não garanta que a nova história agrade aos fãs dos filmes deixados de lado.
No caso de A Múmia 4, a escolha também está ligada ao retorno de Rachel Weisz como Evelyn O’Connell. Os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett confirmaram que o filme de 2008 não será considerado parte da continuidade do novo longa. A decisão abre espaço para retomar a dinâmica entre Evelyn e Rick O’Connell a partir dos dois primeiros filmes.
Ignorar uma sequência, porém, não apaga sua existência nem elimina a relação que o público pode ter construído com ela. A escolha define apenas qual caminho a nova produção seguirá. Cabe ao roteiro mostrar se essa retomada tem uma justificativa narrativa ou se depende principalmente do reconhecimento que os personagens já conquistaram.
- Eu Sou o Rocky ganha trailer dublado; assista
- Digger: filme de Tom Cruise demora a engrenar, mas surpreende na reta final
O que essa decisão significa para A Múmia 4?
A nova produção reúne Brendan Fraser e Rachel Weisz novamente como Rick e Evelyn O’Connell, protagonistas dos filmes de 1999 e 2001. O retorno da atriz também diferencia o projeto de A Múmia: Tumba do Imperador Dragão, de 2008, no qual Evelyn foi interpretada por Maria Bello.
A decisão de deixar o terceiro filme fora da continuidade permite que a nova aventura retome a relação entre os protagonistas sem precisar continuar os acontecimentos daquele capítulo. Ainda não há detalhes suficientes sobre a trama para determinar como o roteiro explicará o intervalo entre os filmes ou quais elementos das produções anteriores serão retomados.
A escolha também levanta uma questão para o público: até que ponto a nostalgia é suficiente para sustentar uma nova continuação? Recuperar personagens conhecidos pode aproximar o filme de sua origem, mas a história ainda precisará apresentar conflitos e motivos próprios para justificar seu retorno.
A Múmia 4 tem estreia prevista para 15 de outubro de 2027. Até lá, a decisão de continuidade já está confirmada, mas o resultado criativo só poderá ser avaliado quando houver mais informações sobre a trama e, posteriormente, quando o filme chegar aos cinemas.
Compartilhe:
