Review: Se Eu Fosse Você 3 resgata a nostalgia e conquista com o novo elenco

Com Cleo Pires e Rafael Infante, terceiro filme recupera o humor dos anteriores e reúne nostalgia e novas interpretações, apesar de um ponto questionável no roteiro
Participar da cabine de imprensa de Se Eu Fosse Você 3 foi uma oportunidade de reencontrar uma franquia que marcou o cinema brasileiro. Depois de tantos anos, voltar a esse universo traz uma sensação de familiaridade, e o terceiro filme consegue aproveitar bem esse sentimento. No geral, gostei bastante do resultado, que recupera elementos dos dois primeiros longas, aposta em uma nova dupla de protagonistas e mantém o espírito da história que conquistou o público.
Desta vez, Cleo Pires e Rafael Infante assumem o protagonismo, trazendo uma nova dinâmica para a conhecida premissa da franquia. O filme procura equilibrar a chegada de novos personagens com a presença daqueles que fizeram parte da trajetória original, criando uma ponte entre diferentes momentos da história.
Cleo Pires e Rafael Infante assumem o desafio
Um dos pontos positivos de Se Eu Fosse Você 3 está nas interpretações. Cleo Pires e Rafael Infante entregam boas atuações e sustentam a dinâmica da troca de corpos, que exige dos atores a construção de comportamentos diferentes daqueles associados aos próprios personagens.
A dupla funciona bem dentro da proposta da comédia e ajuda a dar fôlego à franquia. É possível perceber o cuidado em manter a essência dos filmes anteriores sem depender exclusivamente dos protagonistas originais.
Ainda assim, é impossível não comparar as atuações de Cleo e Rafael com as de Glória Pires e Tony Ramos. Os dois foram incríveis nos primeiros filmes e construíram uma dinâmica que se tornou uma das marcas da franquia. Essa comparação não diminui o trabalho do novo elenco, mas é natural para quem acompanhou a trajetória de Cláudio e Helena desde o início.
Um detalhe do roteiro que poderia funcionar melhor
Apesar de ter gostado bastante do filme, senti falta de um elemento que, para mim, era uma das partes mais interessantes dos dois primeiros longas: a maneira como os personagens continuavam agindo como eles mesmos, mesmo estando no corpo um do outro.
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Nos filmes anteriores, Cláudio e Helena não passavam a executar as profissões um do outro com a mesma habilidade. Eles levavam suas próprias personalidades, visões de mundo e maneiras de agir para aquelas situações, e era justamente desse contraste que surgiam muitos dos momentos cômicos.
Em Se Eu Fosse Você 3, senti falta de ver essa característica mais presente. A questão fica especialmente evidente na gastronomia, já que alcançar o nível profissional de Bia exige anos de prática, estudo e aperfeiçoamento. Por isso, achei pouco convincente que essa habilidade pudesse ser reproduzida sem que a história explorasse melhor essa diferença.
Não é uma questão de os personagens precisarem de mais tempo para se adaptar, mas de como a própria troca de corpos funciona dentro da narrativa. Para mim, teria sido mais interessante ver cada um enfrentando as situações a partir de sua própria personalidade e de suas limitações, como acontecia nos filmes anteriores.
É um detalhe que não chega a comprometer minha experiência com o filme, mas que fez falta justamente por ser uma característica tão marcante da franquia.
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A nostalgia é um dos grandes acertos
Se existe algo que esse filme faz muito bem, é recuperar a conexão com os longas anteriores. Gostei especialmente de como a produção respeita a história construída ao longo da franquia. A gravidez de Bia, apresentada no segundo filme, e a referência a Claudinho, filho de Cláudio e Helena, ajudam a reforçar a passagem do tempo e mostram que os acontecimentos anteriores continuam tendo importância na narrativa.
A presença de Glória Pires e Tony Ramos também é um dos pontos altos. Rever os atores nos papéis que marcaram a franquia traz uma sensação de reencontro e reforça a ligação entre as duas gerações de personagens.
Outro destaque é a trilha sonora, que contribui para a atmosfera nostálgica e nos faz lembrar dos filmes anteriores. São elementos que ajudam a recuperar a memória afetiva de quem acompanhou a história desde o começo, sem impedir que o terceiro longa apresente sua própria identidade.
Vale a pena assistir a Se Eu Fosse Você 3?
Sim. Apesar da ressalva em relação ao desenvolvimento de um aspecto do roteiro, gostei bastante de Se Eu Fosse Você 3. O filme recupera o humor e a familiaridade dos dois primeiros longas, apresenta boas atuações de Cleo Pires e Rafael Infante e encontra maneiras de conectar a nova história ao passado da franquia.
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A comparação com Tony Ramos e Glória Pires é inevitável, especialmente porque os dois foram fundamentais para a identidade dos filmes anteriores. Ainda assim, o novo elenco consegue sustentar a proposta e dar continuidade a uma história que continua tendo espaço no cinema brasileiro.
No fim, é uma boa opção para quem sente saudade dos personagens e quer reencontrar esse universo. A nostalgia funciona, as interpretações convencem e a trilha sonora ajuda a completar a experiência. Mesmo com um ponto do roteiro que poderia ter sido melhor desenvolvido, saí da cabine com uma impressão positiva e com a sensação de que valeu a pena voltar a essa história.
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