No Limite da Justiça: Wahlberg e Yahya são o destaque do filme

No Limite da Justiça: Wahlberg e Yahya são o destaque do filme
Foto: Divulgação

Crítica destaca o contraste entre um mafioso que atua como informante do FBI e um agente negro que precisa enfrentar o racismo dentro da própria instituição

No Limite da Justiça funciona muito bem justamente por colocar dois personagens completamente diferentes lado a lado. De um lado, Greg Scarpa, interpretado por Mark Wahlberg, um mafioso que atua como informante do FBI e parece sempre estar alguns passos à frente de todo mundo. Do outro, o personagem de Yahya Abdul-Mateen II, um agente do FBI ainda pouco experiente, que precisa enfrentar não só os desafios do trabalho, mas também o racismo de uma época em que ocupar aquele cargo sendo negro já era, por si só, uma batalha.

E acho que esse contraste é um dos grandes acertos do filme. Mark Wahlberg está irreconhecível no papel e, para mim, entrega seu melhor trabalho desde Os Infiltrados. Scarpa é um personagem extremamente corajoso, mas existe um contexto importante por trás disso: ele está acostumado com o mundo do crime e da máfia. Ele sabe como se comportar naquele ambiente, não demonstra medo e parece conseguir entrar e sair das situações mais perigosas com uma facilidade absurda.

O contraste entre os dois protagonistas

Enquanto isso, o personagem de Yahya precisa lidar com uma realidade completamente diferente. Ele é um agente do FBI, mas, por ser negro, precisa provar o tempo inteiro que realmente pertence àquele lugar. O fato de ninguém acreditar quando ele diz que é do FBI é um detalhe que o filme usa muito bem para mostrar o tamanho da barreira que ele enfrenta.

E é justamente aí que o contraste entre os dois fica ainda mais interessante. Para Scarpa, um homem branco e envolvido com a máfia, entrar em determinados ambientes e conquistar a confiança das pessoas parece quase natural. Para o personagem de Yahya, o caminho é muito mais difícil em praticamente todos os sentidos. Ele não é inexperiente porque lhe falta capacidade, mas porque está tentando construir uma carreira em uma estrutura que coloca obstáculos que Scarpa simplesmente não precisa enfrentar.

Mark Wahlberg e Yahya Abdul-Mateen II sustentam a história

Yahya Abdul-Mateen II também está muito bem e consegue transmitir essa frustração sem transformar o personagem em alguém unidimensional. A parceria entre os dois funciona muito bem justamente porque eles possuem métodos e experiências completamente diferentes. Você fica querendo ver os dois trabalhando juntos, e o filme consegue manter essa dinâmica interessante durante boa parte da história.

O ritmo também me agradou bastante. O filme não fica preso apenas à investigação e consegue alternar bem entre ação, tensão e desenvolvimento dos personagens. A presença de Scarpa ajuda muito nisso, porque você nunca sabe exatamente até onde ele está disposto a ir ou como vai conseguir sair de determinada situação.

Uma história policial marcada pela violência racial

Uma das cenas que mais me chocou foi a morte de Vernon Dahmer. Ver a casa sendo incendiada pela KKK e toda a violência daquela situação é realmente revoltante. É uma cena difícil de assistir não apenas pela brutalidade, mas porque o filme consegue mostrar o quanto aquele ódio era concreto e violento. Não é apenas uma discussão sobre racismo ou uma questão histórica distante: são pessoas colocando fogo na casa de outra pessoa por causa da luta dela pelos direitos civis. A sequência acaba dando um peso ainda maior para tudo o que os personagens estão tentando combater.

E saber que a história é baseada em acontecimentos reais deixa tudo ainda mais pesado. Algumas situações já seriam absurdas dentro de uma história de ficção, então saber que existiram pessoas que realmente viveram aquilo dá outra dimensão para o filme.

No fim, No Limite da Justiça não necessariamente reinventa o gênero policial, mas consegue entregar uma história muito envolvente, com ótimas atuações e uma dupla de protagonistas que funciona muito bem. Para mim, o maior mérito está justamente nessa diferença entre os dois: um homem branco e mafioso que consegue transitar pelo perigo quase como se fosse algo natural, e um homem negro que precisa lutar para ser reconhecido até mesmo quando veste o distintivo do FBI.

Mark Wahlberg e Yahya Abdul-Mateen II carregam o filme muito bem, e essa dinâmica é, sem dúvida, o grande destaque.

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