Jogo do Beco usa cartas para discutir bullying e cyberbullying

Jogo do Beco usa cartas para discutir bullying e cyberbullying
Foto: Divulgação

Jogo desenvolvido em pesquisa de doutorado transforma situações de violência entre adolescentes em perguntas, escolhas e debates coletivos

Falar sobre bullying com adolescentes nem sempre funciona quando a discussão fica restrita a definições e discursos prontos. É a partir dessa ideia que nasceu o Jogo do Beco, jogo de cartas desenvolvido pela pesquisadora Elisa Grec Huertas durante seu Doutorado em Comunicação pela Universidade Paulista (UNIP), sob orientação de Carla Montuori Fernandes.

Voltado para participantes a partir de 10 anos, o jogo coloca os próprios adolescentes diante de situações relacionadas ao bullying, cyberbullying, relações entre colegas e diferentes formas de reagir à violência. Em vez de apresentar respostas consideradas certas, a proposta é fazer com que os jogadores interpretem os cenários, expressem opiniões e discutam coletivamente suas percepções.

Como funciona o Jogo do Beco

As partidas podem reunir de quatro a dez jogadores. A dinâmica utiliza três tipos de cartas: Exposed, que apresentam perguntas e situações; Alfinetada, com possibilidades de resposta; e Cancelado, que traz comandos e acontecimentos capazes de mudar o andamento da partida.

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A partida também utiliza um Token de Narrador, marcadores para as votações e marcadores de pontuação.

A cada rodada, um dos participantes assume a função de narrador. Ele lê uma carta Exposed e recebe as respostas escolhidas pelos demais jogadores. Depois, o grupo vota naquela que considera mais significativa, pertinente ou criativa.

A mecânica faz com que a discussão não fique concentrada em uma única pessoa. Diferentes pontos de vista aparecem durante a partida, incluindo questões relacionadas a pertencimento, exclusão, intimidação, amizade e exposição nas redes sociais.

“O jogo permite que os adolescentes falem sobre o bullying a partir de sua própria linguagem e de suas experiências. Ao jogar, eles podem reconhecer situações de violência, perceber suas diferentes formas de manifestação e discutir possibilidades de posicionamento”, explica Elisa Grec Huertas.

Bullying também envolve quem está ao redor

Um dos pontos trabalhados pelo projeto é a compreensão do bullying como um fenômeno que ultrapassa a relação entre vítima e agressor.

A situação também envolve quem presencia, incentiva, compartilha, silencia ou decide se posicionar diante da violência. No ambiente digital, essa dinâmica pode ganhar outras dimensões, principalmente quando conteúdos são compartilhados ou uma situação de exposição continua circulando pelas redes.

Por isso, o Jogo do Beco não se concentra apenas em identificar uma situação de intimidação. As cartas também estimulam conversas sobre responsabilidade, empatia e as diferentes possibilidades de intervenção.

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Jogo é parte de pesquisa sobre literacia midiática

O projeto foi desenvolvido como uma estratégia de literacia midiática, conceito relacionado à capacidade de compreender, analisar criticamente e responder às mensagens, práticas e relações presentes nos diferentes ambientes de comunicação.

Nesse contexto, o jogo transforma uma discussão que poderia acontecer de maneira tradicional em uma experiência participativa. Os adolescentes precisam interpretar situações, escolher respostas, ouvir outras perspectivas e tomar decisões dentro da dinâmica da partida.

O Jogo do Beco integra uma pesquisa acadêmica que investiga justamente as possibilidades dos jogos como estratégia de literacia midiática para o enfrentamento ao bullying entre adolescentes.

A pesquisa procura compreender os significados atribuídos pelos jovens ao fenômeno e analisar de que maneira a experiência proporcionada pelo jogo pode contribuir para ampliar essa compreensão.

Uma proposta para escolas e espaços educativos

Com uma dinâmica baseada em cartas, votação e interação entre os participantes, o Jogo do Beco busca aproximar conhecimento científico e experiência juvenil.

A proposta é que a ferramenta possa ser utilizada em escolas e outros espaços de formação, criando oportunidades para que adolescentes discutam situações de violência que fazem parte de suas relações presenciais e digitais.

Mais do que ensinar uma resposta pronta para o bullying, a proposta coloca os próprios participantes no centro da conversa. A partir das situações apresentadas pelo jogo, eles precisam interpretar, argumentar, ouvir os colegas e refletir sobre como cada pessoa pode se posicionar diante da violência.

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