Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor abraça a nostalgia

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor abraça a nostalgia
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Quase 30 anos depois, sequência transforma o reencontro com as irmãs Owens em uma experiência de conforto, emoção e nostalgia sem perder a essência do filme original

Após quase 30 anos do primeiro filme, minhas expectativas para Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor estavam extremamente altas. E talvez justamente por isso existisse também aquele medo de que a sequência parecesse forçada. Afinal, estamos vivendo uma época em que muitos filmes dos anos 1990 e 2000 estão ganhando continuações décadas depois.

Mas Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor conseguiu fazer algo que eu não esperava: em vez de sentir que estavam tentando repetir o passado a qualquer custo, eu senti uma nostalgia gigantesca. O filme de Susanne Bier repete muitos dos elementos que fizeram de Da Magia à Sedução uma obra tão querida pelos fãs. Para algumas pessoas, isso pode ser um problema. Para mim, foi justamente o contrário. Foi como voltar para um lugar conhecido.

A sequência traz aquela energia de acolhimento e pertencimento, de típico comfy movie, mas sem simplesmente tentar copiar o longa de 1998. É uma nostalgia que amadureceu junto com suas personagens, mas que ainda mantém o encanto, o humor e a magia que fizeram o público se apaixonar pelas irmãs Owens.

Sally e Gillian continuam sendo o coração da história

A principal âncora do filme continua sendo a química entre Sally e Gillian, interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman.

Assim como no primeiro filme, as duas funcionam quase como um yin-yang. São completamente diferentes, mas justamente por isso se complementam. Sally é mais contida, racional e cuidadosa, enquanto Gillian continua carregando aquela energia mais livre, impulsiva e divertida.

E é muito bom reencontrar essa dinâmica quase três décadas depois. O tempo passou, as personagens amadureceram e a vida mudou, mas a relação entre as duas continua sendo o centro emocional da história.

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As tias Jet e Franny ganham um novo peso

Um dos maiores acertos, para mim, está no retorno das tias Jet e Franny, novamente interpretadas por Dianne Wiest e Stockard Channing. A presença das duas traz um peso emocional e nostálgico muito forte. E, curiosamente, senti que elas têm uma importância ainda maior para a história desta vez do que no primeiro longa. E não parece algo colocado ali apenas para agradar os fãs.

O retorno acontece de maneira leve, tranquila e natural. Não existe aquela sensação de que o filme está constantemente dizendo “olha quem voltou!”. Elas simplesmente fazem parte daquela família e daquele universo, como sempre fizeram. E talvez seja justamente isso que torna o reencontro tão especial.

A sequência também amplia a história da família Owens ao apresentar uma nova geração. A trama parte novamente da maldição que acompanha as mulheres da família e coloca os personagens diante de novos conflitos envolvendo amor, família e magia.

Sem entregar grandes spoilers, a história mostra que o passado da família continua tendo consequências no presente. Ao mesmo tempo em que Sally e Gillian precisam lidar com aquilo que já conhecem, uma nova geração começa a descobrir o próprio lugar dentro desse universo.

É uma maneira interessante de continuar a história sem simplesmente apagar o que aconteceu no primeiro filme.

Menos suspense, mais magia

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Uma diferença que senti bastante em relação ao longa de 1998 está na construção do suspense.

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor reduz os momentos de tensão em comparação ao primeiro filme. As cenas de suspense são mais pontuais e breves, enquanto a sequência aposta muito mais na fantasia, no relacionamento entre as personagens e nos momentos de humor e emoção.

Os efeitos especiais também acompanham essa mudança. A magia aparece de uma maneira muito mais grandiosa e visualmente poderosa, algo que seria praticamente inevitável considerando o avanço tecnológico de quase três décadas. E, para mim, isso funciona dentro da proposta do filme.

Se tem uma coisa que eu não esperava era chorar tanto. O filme tem momentos realmente emocionantes e, em várias cenas, a história consegue tocar justamente por causa da relação entre essas mulheres e de tudo que elas carregam depois de tantos anos.

Mas também ri bastante. Assim como no primeiro, existem momentos mais descontraídos que quebram a tensão e deixam a experiência muito mais leve. O filme ainda brinca com referências a outras produções e séries que fazem parte do imaginário de quem cresceu naquela mesma época.

São pequenos detalhes que ajudam a construir essa sensação de reencontro.

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Uma sequência que entende o que os fãs queriam

Talvez a melhor forma de explicar minha experiência com Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor seja dizer que eu não estava procurando uma reinvenção completa da história. Eu queria reencontrar Sally, Gillian, Jet e Franny.

Queria aquela casa, aquela magia, aquela relação entre as irmãs e aquela mistura de humor, fantasia e emoção que fez o primeiro filme conquistar uma legião de fãs ao longo dos anos.

E o filme entrega isso. Sim, ele repete elementos do original. Sim, existem momentos em que a nostalgia está claramente presente. Mas, para mim, isso não tornou a sequência forçada. Pelo contrário: fez com que ela tivesse uma sensação de continuidade.

O longa entende que quase 30 anos se passaram, mas também entende que algumas histórias continuam sendo um lugar para onde a gente gosta de voltar. E, neste caso, voltar para a família Owens foi uma experiência muito mais acolhedora, divertida e emocionante do que eu imaginava.

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